Editorial - Cândido 69

A obra de Carlos Drummond de Andrade é, fazendo referência a um de seus poemas mais conhecidos, uma “pedra no caminho” na poesia brasileira. Quem deseja escrever poemas e mesmo apenas conhecer a literatura produzida no Brasil, deve — obrigatoriamente — passar pelo legado drummondiano. O professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Wilson Alves-Bezerra adverte: a obra de Drummond é um porto de passagem, uma espécie de aduana: “O que ele produziu é incontornável”.

O Cândido traz nesta edição um especial sobre a produção do mineiro nascido em 1902 em Itabira (MG) e que morreu no dia 17 de agosto de 1987. Em 2017, são 30 anos sem o autor de textos poéticos como “Poema de sete faces”, “Infância”, “Lagoa”, “Política Literária”, “No meio do caminho”, “Quadrilha” e “Cota zero” — todos presentes em seu primeiro livro, Alguma poesia, publicado em 1930.

Uma ampla reportagem apresenta os principais momentos e características da obra do poeta que também se aventurou pela prosa e é considerado um cronista do primeiro time. Estudiosos, como o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Antônio Marcos Vieira Sanseverino, o professor da Universidade Brasília (UnB) Alexandre Pilati e o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Ítalo Moriconi, analisam o legado e explicam o motivo de a obra de Drummond integrar o cânone literário.

O docente da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Roncari comenta, em artigo inédito, por que os livros A rosa do povo, de 1945, e Claro enigma, de 1951, formam um par e representam o coração pulsante e possivelmente o ápice e a plena maturidade da poesia drummondiana. Para completar o especial, a equipe do Cândido indica seis livros de Drummond, opções para quem já conhece reler e para quem ainda não leu apreciar sem moderação.

O jornalista e biógrafo Ruy Castro foi o primeiro convidado de 2017 do projeto “Um Escritor na Biblioteca” e os melhores momentos do bate-papo foram transcritos e estão nesta edição — o evento marcou a inauguração do auditório da BPP, que em março completou 160 anos com obras de modernização consolidando a instituição como um espaço cultural de convivência.

Outro destaque do Cândido 69 é uma reportagem, de Luis Izalberti, a respeito de Mesmas coisas, projeto que transpõe para os palcos, e até para performances a céu aberto, livro homônimo e póstumo de Manoel Carlos Karam (1947-2007). O catarinense que se radicou em Curitiba transitou pela dramaturgia, pelo jornalismo e pela ficção experimental, agora revisitada no teatro — linguagem pela qual ele sempre teve apreço.


Karam
Manoel Carlos Karam por Pedro Franz.


Recomendar esta página via e-mail: