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Poema | Ronald Augusto

A música de Moacir Santos, como ela aparece

para kant não podemos coisar as coisas como elas são
se o alemão tivesse sido contemporâneo de moacir santos
talvez a coisa não fosse bem assim

o filósofo do idealismo ainda teria de sacar alguma coisa de música
afinal, isso é coisa de negro:
“basta colocar um piano na frente deles” (de um modernista de 22)

mas quando duke se viu cara a cara com um piano, disse:
“isto não é piano, é sonhar, ouça...”
assim moacir santos com a boca em seus sopros

já que a tormenta essencial do corpo,
a música: graus de identidade em
impenetrável insubsistência

Ilustração: Renato Faccini
Moacir Santos

Ronald Augusto nasceu Rio Grande (RS), em 1961. É poeta, músico e ensaísta. Entre 2007 e 2012 manteve, ao lado do poeta Ronaldo Machado, a Editora Éblis, voltada para a poesia. Publicou, entre outros, Homem ao rubro (1983), Puya (1987), Kânhamo (1987), Confissões aplicadas (2004) e Cair de costas (2012). Mantém o blog poesia-pau.blgspot.com e é colunista do site sul21. Augusto vive em Porto Alegre (SP).
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