Editorial - Cândido 72

     DW Ribatski
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A história cultural do século XX, e do início do século XXI, não pode ser contada sem que se mencione a trajetória de Bob Dylan. Desde 1962, quando fez sua estreia em disco, o americano de Minnesota tem se mantido relevante na música. Espécie de “artista dos artistas”, Dylan inspirou um número imenso de músicos — dos Beatles a Caetano Veloso, passando por Jimi Hendrix e Raul Seixas, entre tantos outros.
Esse protagonismo se deve à sua verve inquieta, que o fez se reinventar como artista ao longo dos últimos 50 anos. Mas principalmente à qualidade de suas composições, várias delas narrativas longas e complexas, recheadas de imagens fantásticas, com ricas possibilidades de leitura e interpretação.  

Vencedor de 12 Grammys e um Oscar (por Things have changed, tema do filme Garotos incríveis), Bob Dylan se tornou o primeiro compositor a receber, em dezembro de 2016, o Prêmio Nobel de Literatura. Segundo a academia sueca, que concede a honraria, Dylan foi agraciado “por ter criado novas formas de expressão poéticas no quadro da grande tradição da música americana” — ainda que o próprio compositor evite a alcunha de poeta.

Nesta edição, o Cândido destaca a obra do autor de Like a rolling stone — considerada por muitos como a canção mais importante da história do rock. O jornalista e escritor Jotabê Medeiros — que prepara a biografia de Belchior, outro artista conhecido pela qualidade de suas letras — traça um panorama do cancioneiro dylanesco e o impacto que essa vasta obra tem causado na cultura ocidental ao longo de meio século. Jotabê, em outro artigo, destaca outros nomes celebrados por suas composições, como Patti Smith, Leonard Cohen e Gil Scott-Heron, entre outros lí- ricos da música. Completam o especial sobre poetas da rock duas letras de Leonard Cohen, traduzidas pelo curitibano Fernando Koproski. 

A edição 72 do Cândido ainda traz outros conteúdos, como a longa reportagem que resgata o percurso literário do gaúcho Dyonelio Machado (1895–1985), que estreou há 90 anos com o livro de contos Um pobre homem

Na entrevista do mês, a romancista Veronica Stigger fala sobre o seu trabalho mais recente, Sul, que reúne três textos literários escritos em gêneros distintos. A autora, que já recebeu os prêmios Machado de Assis, São Paulo e Açorianos, também discute outros assuntos, como o seu envolvimento com as artes visuais, o papel das redes sociais, além de temas recorrentes em sua obra, como a violência e a infância.

Entre os inéditos, a edição apresenta poemas de Zuca Sardan, Paulo Scott e Dennis Radünz, além de conto de Carlos Alberto Sanches.

Boa leitura!
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