Poetas do rock

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Saudades do subterrâneo — Em 1965, Dylan realizou um dos videoclipes mais emblemáticos da história da música. Gravadas em um beco de Londres, as imagens serviriam de abertura para o documentário Don’t look back, de D. A. Pennebaker. Mas o audiovisual acabou ganhando vida própria e foi usado como “vídeo promocional” de “Subterranean homesick blues”, gravada no álbum Bringing it all back home (1965). Ao longo da música, Dylan solta cartazes com a letra da canção. As imagens se tornaram icônicas. As palavras nos papéis foram escritas, entre outras pessoas, por Dylan e Allen Ginsberg, que é visto em segundo plano no vídeo.

Rimbaud e os beats — Patti Smith saiu de casa aos 20 anos, no final da década de 1960, rumo a Nova York com um livro de Rimbaud na mala e o desejo de ser artista — mais precisamente poeta. Na cidade, trabalhou como vendedora de livros e, em 1967, partiu para Cherleville, na França, em busca do lugar onde Rimbaud nasceu e foi enterrado. A influência da beat generation também marcou de forma profunda seu trabalho. Patti tornou-se amiga de alguns beatniks. Gregory Corso, por exemplo, fez listas de livros “essenciais” para a futura cantora, que à época morava no lendário hotel Chelsea. 

Falando canções — Lou Reed dava tanta importância às suas composições, que as declamava ao invés de cantá-las. Assim são interpretadas algumas de suas músicas mais emblemáticas, como “Walk on the wild side”, “Perfect day” e “Sweet Jane” — letras sobre o submundo de Nova York, drogas pesadas, ressacas intermináveis, prostitutas e sadomasoquismo. 

Ilustração: DW Ribatski
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Jim Morrisson em Paris — Aos 27 anos, Jim Morrison, vocalista do grupo The Doors, se dizia muito velho para cantar em uma banda de rock. Em 1970, o cantor gravou o último álbum (L.A. Woman) com os antigos companheiros e se mandou com a namorada Pamela Courson para Paris, em busca do mito iluminista da capital francesa. Queria se dedicar à poesia. Não por muito tempo, pois a morte chegou naquele ano. Mesmo assim, teve tempo de publicar The lords and the new creatures, uma coletânea de seus poemas. 

Dylan na encruzilhada — Desde que surgiu, no começo dos anos 1960, Bob Dylan foi aclamado como um grande letrista. O crítico musical Greil Marcus dedicou um livro inteiro a uma das canções mais emblemáticas do compositor. Like a rolling stone, Bob Dylan na encruzilhada revela os bastidores da gravação da canção homônima, incluída no clássico Highway 61 revisited (1965). Tendo como pano de fundo a situação política e cultural dos Estados Unidos nos anos 1960, Marcus analisa as inúmeras possibilidades de interpretação da história “da garota bem-vestida que jogava um tostão para os vagabundos”. 

Morrissey nos portões do cemitério — Steven Morrissey, líder da cultuada banda The Smiths, teve na obra dos poetas românticos ingleses a inspiração para escrever letras sarcásticas, críticas e, às vezes, bem-humoradas. Na canção “Cemetry gates” ele homenageia alguns ídolos: “Keats e Yeats estão as seu lado. Enquanto [Oscar] Wilde está ao meu [lado]”, diz a letra.

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Ian Curtis nas sombras — O vocalista Ian Curtis representava a parte culta do Joy Division. Interessado em prosa e poesia, dava dicas de leitura aos outros três membros da banda — o guitarrista Bernard Sumner, o baixista Peter Hook e o baterista Stephen Morris. Esse interesse por literatura reverberava em seu trabalho como compositor. As letras que escreveu eram sombrias e expressivas. O que casava perfeitamente com o som lúgubre da banda. Epilético, Curtis se matou em 1980, dois meses antes do lançamento do segundo álbum do Joy Division, Closer
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