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Um Escritor na Biblioteca | Marcelino Freire

O escritor Marcelino Freire fez um amplo resumo de sua trajetória literária na edição de junho do projeto Um Escritor na Biblioteca. Conhecido pela eloquência da fala, Freire reafirmou a importância da oralidade em sua ficção. “Nunca tenho uma ideia para uma história. É muito difícil eu ter uma ideia. Não tenho juízo para nada, vou ter uma ideia todinha, do começo ao fim? Não vou. Vou ter uma frase. Uma frase que ouço na rua, que escuto na televisão, que minha mãe falava”, diz o autor, hoje com 50 anos, nascido em Sertânia (PE) e radicado desde 1991 em São Paulo.

Durante anos, ainda no Recife, trabalhou em banco e como revisor publicitário. Logo nos primeiros anos em São Paulo, bancou com economias — de seu trabalho como revisor em agência de publicidade — os seus dois primeiros livros: acRústico (1995) e eraOdito (1998). O ponto de virada aconteceu quando Freire conheceu o escritor Evandro Affonso Ferreira, à época dono de um sebo. Os dois autores deram início a encontros que chacoalharam a cena literária paulistana no início do século XXI — vários desses escritores integrariam a antologia Geração 90: manuscritos de computador (2001), organizada por Nelson de Oliveira.

Por intermédio do crítico João Alexandre Barbosa, foi publicado pela editora Ateliê Editorial e, em seguida, pela Record, a sua atual editora. Freire tornou-se um dos principais autores da literatura brasileira contemporânea — algumas de suas obras estão traduzidas para o inglês, francês, espanhol e italiano, incluindo publicações em Portugal.

O escritor é o idealizador da Balada Literária, que acontece desde 2006 no bairro paulistano da Vila Madalena, em São Paulo. Escritores brasileiros e estrangeiros participam do evento, que este ano faz homenagem a Torquato Neto.

No bate-papo mediado pelo jornalista e escritor Marcio Renato do Santos, o autor também fala sobre Contos negreiros (Melhor Livro de Contos no Prêmio Jabuti de 2006) e o seu primeiro romance, Nossos ossos (Prêmio Machado de Assis em 2014), além de resgatar episódios de sua trajetória e de enunciar frases marcantes, entre as quais: “A literatura é um jogo constante”. 

         Fotos Fábio Santiago
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O autor é uma biblioteca
Manuel Bandeira foi a minha primeira biblioteca. Todo autor, todo poeta é uma biblioteca em si. Bandeira foi o primeiro autor que li. Assim que o conheci, fui lá conferir outros poetas do movimento modernista, por exemplo. Então, ele foi de alguma forma uma espécie de guia, de porta de entrada para outros escritores. Cada escritor é uma biblioteca ambulante, entende? Por que eu estou falando isso? Porque a biblioteca física, assim, feita de cimento, em Sertânia [cidade pernambucana em que o autor nasceu] não existia. Em Sertânia não tinha água, que dirá biblioteca. Estou com 50 anos — com cara de 49 — mas só agora chegou água na minha cidade. Sertânia foi manchete recentemente em todos os jornais exatamente por causa da transposição do rio São Francisco. Aquela cena de pessoas pulando na água como se fosse uma grande praia aconteceu lá em Sertânia, em um canal de transposição do São Francisco. Se minha mãe continuasse no sertão, eu estaria também hoje naquela praia fazendo a maior festa, com a água finalmente chegando por aquelas pastagens.

Escritores alimentam
Os escritores pegam na mão da gente no momento em que estamos precisando. Eu não sabia, mas o Bandeira pegou na minha mão quando li pela primeira vez um livro dele. Quando li o poema dele, “Testamento”, fui tomado por uma febre, uma espécie de contaminação, de fracasso múltiplo. Minha mãe saiu de Sertânia com os filhos porque queria a salvação financeira, e a salvação financeira não está na poesia. Poesia não garante nada a ninguém, por isso que é poesia. Aí, no entanto, o que o Bandeira estava dizendo para mim, a poesia dele, a verdade dele, foi me alimentando, me ajudou a atravessar a vida. É assim até hoje, quando eu vou reler, por exemplo, Murilo Mendes, Cecília Meirelles, Solano Trindade, Noémia de Sousa. Todos estão me ajudando a sobreviver.

Biblioteca física
A escola onde estudei, no Recife, chamava-se Alfredo Freyre, que era o pai de Gilberto Freyre. Lá não havia biblioteca. Mas havia uma coisa fundamental para minha formação como escritor: o teatro. A diretora teatral Ilza Cavalcanti começou a me falar de Maria Clara Machado, Ziraldo, etc. E ela me emprestava livros. Não era uma biblioteca vasta que ela possuía, mas ali tinha, por exemplo, Esperando Godot, do Samuel Beckett. Ilza também carregava uma biblioteca com ela. A outra coisa mágica nessa escola, que eu achava fascinante, era a presença de Gilberto Freyre. Ele visitava o local de vez em quando, porque, obviamente, a escola levava o nome do pai dele. Então, a escola parava para recebê-lo, era o dia em que havia uma mortadela com queijinho para todo mundo comer. E a gente, que fazia teatro, se apresentava para o escritor assistir. Eu me apresentava para o Gilberto Freyre. A figura dele, como escritor — eu nem sabia que ele era sociólogo — era algo que me deixava com inveja. Eu queria ser recebido um dia daquele jeito. Eu queria mortadela todo dia.

Oralidade 
A oralidade está na minha literatura. Isso certamente vem de uma vivência sertaneja. O que você mais tem na casa do sertanejo é barulho, fala, algazarra. A voz da minha mãe me acordava todo dia. A voz dela, os gestos, a agonia e o vexame. Minha mãe dava muito vexame, sobretudo quando estava sem dinheiro. Daí, ela gritava, aperreada. Eu sabia que as coisas não estavam boas, que o almoço não seria tão bom, pelo barulho da casa. Quando não estava gritando e gemendo, minha mãe estava cantando. Quando ela cantava Luiz Gonzaga, eu sabia que as coisas estavam um pouco melhores. Os meus personagens têm esse movimento, dão esse vexame. Escrevo dando vexame, compactuando com minha mãe quando ela estava, sobretudo, sem dinheiro. Eu escrevo gritando com ela. 

Método de escrita
O livro que mais leio é a rua. Então, nunca tenho uma ideia para uma história. É muito difícil eu ter uma ideia. Não tenho juízo para nada, vou ter uma ideia todinha, do começo ao fim? Eu não. Vou ter uma frase que ouço na rua, que escuto na televisão, que minha mãe falava. É sempre uma fala que vem falar o que eu escrevo. Algo que me angustia e fico, sei lá, carregando durante um tempo. Daí, quando vou ao computador escrever — até hoje é assim — eu digo: “Qual é mesmo aquela frase?”. E não anoto a frase, porque se anotar, perco. Esqueço a palavra para poder lembrar. Se aquela frase, se aquela palavra estiver doendo ainda, é porque de fato é algo que não dá para esquecer. Aí eu tento reproduzir. Eu descubro quem está falando ao escrever. Ou seja, descubro a história a partir das palavras, o que as palavras vão me dizendo. E as palavras sempre nos socorrem. Sempre. Não é coisa de baixar santo, não, que isso não existe. A partir da primeira, da segunda, da terceira, da quarta frase, vou me surpreendendo. A literatura é um jogo constante.  

Chegada a São Paulo
Nunca imaginei que iria para São Paulo, mas na época estava completamente apaixonado e sofri muito durante uns dois anos. Eu estava apaixonado por um rapaz, que me convidou para ir para lá. Aí eu fui e me lasquei. Mas é assim mesmo. A vida é feita dos amores possíveis, não dos amores impossíveis. Fiz de São Paulo o meu amor possível. E isso não é melancólico, não. É uma filosofia de vida. Quando acordo, digo: “É o que é possível fazer”. São Paulo não deu certo, o amor não aconteceu, não rolou, não tem problema. Vamos para os amores possíveis, para a vida que é possível ser vivida. Há 26 anos estou em São Paulo. Há 26 anos vou vivendo assim.

Primeiros trabalhos
Peguei a cidade de São Paulo para mim. Numa força, numa vontade. Fui avante. Comecei a procurar trabalho. Eu já trabalhava no Recife como revisor de textos. Então, fui procurar emprego em agências de propaganda e bancos. Passei 13 anos trabalhando em uma grande agência como revisor, lendo textos que não mereceriam ser lidos uma única vez. Trabalhei muito lendo rótulo de água mineral, por exemplo. Nunca reclamei da minha profissão, porque era essa profissão que me mantinha em São Paulo. Com ela eu mandava dinheiro para minha mãe, pagava o aluguel, etc. Eu não brigava com o meu ofício. Mas aí, o que eu fazia? Para cada rótulo de água mineral, escrevia um conto. Era essa a minha vingança.

acRústico
Tem gente que às vezes chega em uma palestra com esse livro [acRústico], aí eu digo: “Quanto você quer por essa merda?”. Eu brinco assim, mas esse livro, mesmo ruim, foi muito importante para os outros que vieram. Fiz esse livro quando ainda não tinha interlocutores no meio literário. Acho que é imprescindível para um escritor encontrar sua turma, interlocução, seus pares. O seu bando. Os seus parceiros do crime. Aí, quando você vai encontrando, vai afinando os instrumentos. Na época do acRústico eu estava sozinho. Na verdade, estava trabalhando demais, revisando lá os rótulos de água mineral. Não reclamava, mas era essa a minha vida de manhã, tarde e noite. Eu dizia: “Nossa, vim para São Paulo para isso?” Foi quando decidi fazer meu primeiro livro por conta própria, sem procurar editora, com o dinheiro que eu ganhava revisando rótulos.

Angu de sangue
Fiz o acRústico por conta própria. Depois de três anos, queria fazer um próximo livro de contos. Já era o Angu de sangue. Mas não se chamava assim. O título inicial era O sol que gera e devora seus filhos. Então convidei um amigo, Jobalo, artista plástico pernambucano que mora em Milão há muitos anos, para fazer uma intervenção no livro. Queria que ele mandasse algumas coisas, desenhos, pinturas, etc. Para minha surpresa, ele enviou fotografias. A imagem da capa e outras fotos que compõem o Angu são dele.

eraOdito
Eu queria fazer o Angu de sangue, mas era um livro caro, por conta das imagens, etc. Por isso resolvi pensar em outro livro, que ajudaria a pagar a edição do Angu. Aí comecei a brincar no computador, entre uma revisão e outra, com ditados populares e frases famosas. Fui descobrindo outras leituras nesses ditados. Eu os ressignificava. Escrevia a frase e ficava pensando em outros significados, naquilo que não era muito visível. Isso foi me tomando, fiquei obcecado. As pessoas me diziam algo e eu já sabia o que estava escrito lá dentro. “Ser ou não ser, eis a...” Sabe o que está escrito dentro da frase de Shakespeare? Neurose. Todas as letras estão lá. Eu não preciso nem da palavra questão. “Ser ou não ser, eis a neurose”. As pessoas na agência de propaganda adoravam. Iam pro meu computador e perguntavam: “Descobriu mais alguma coisa?”. Aquilo foi mobilizando a agência de tal maneira que eles me ajudaram a fazer o eraOdito com uma tiragem de 5 mil exemplares. E esse livro, que era para ajudar na edição do Angu, me tomou dois anos, de 1998 até 2000. O livro vendeu muito, virou até best-seller na Livraria Cultura. Eu mesmo ia lá oferecer à Livraria, com o livro debaixo do braço.

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Encontro com escritores
Eu estava em um período incessante de trabalho na agência e decidi que, nos finais de semana, não iria fazer nada, apenas iria às livrarias, circular pelo meu bairro. Foi aí que conheci o Evandro Affonso Ferreira, escritor que tinha um sebo chamado Avalovara. Evandro propôs que começássemos uns encontros com escritores para leituras de textos. Começamos a fazer essas leituras em um café, na Vila Madalena, aos sábados. Aí fui encontrando meus pares, essa interlocução que faltava. Apareceram por lá Nelson de Oliveira, Marcelo Mirisola, Luiz Ruffato, Ivana Arruda Leite, Marçal Aquino, Andrea Del Fuego, Ronaldo Bressane e até Valter Hugo Mãe pintou por lá, entre outros. Era uma geração que também estava muito inquieta, queria ter contato com outros autores.

Primeira editora
No sebo Avalovara, Evandro conheceu João Alexandre Barbosa, crítico literário muito respeitado, que acabou indo a um dos nossos encontros de sábado. João Alexandre me viu lendo em voz alta “Muribeca”, o conto que abre o Angu de sangue. Ele gostou e me pediu para que enviasse a ele outras histórias, pois me indicaria para a Ateliê Editorial. E, de fato, ele me indicou. Plínio Martins, editor, adorou o projeto e o Angu saiu por lá no ano 2000. Foi publicado com prefácio de João Alexandre Barbosa, que à época escrevia na revista Cult. Devo minha trajetória à generosidade dessas duas figuras, João Alexandre e Plínio. E a Evandro, com quem tudo começou.

Tem que ter sorte
No ano 2000, ainda havia muitos suplementos literários. E todos repercutiram o lançamento do Angu de sangue. Lembro de uma coisa muito maluca: a Folha de S.Paulo tinha um caderno chamado “Inéditos Folha”. No primeiro sábado do mês, saía um caderno dentro da “Ilustrada”, com trechos de livros que ainda não haviam sido publicados. Eles antecipavam as novidades do mercado editorial. Pedi para a Ateliê mandar para alguns jornalistas a prova do Angu. Mas o que eu fazia: mandava a prova junto com um exemplar do eraOdito — ou seja, ocorria de a pessoa já conhecer o livro e eu mandava de novo. Um dia, a editora do “Inéditos” chegou para Cassiano Elek Machado, naquele tempo um jovem jornalista da Folha, desesperada dizendo que a autora que iria sair no caderno do fim de semana já havia divulgado o texto dela no Jornal do Brasil. O conteúdo programado para sair não era mais inédito, portanto. Cassiano então olhou para um canto, olhou para o outro, e viu o Angu de sangue. Ele leu os originais e gostou. Na quinta-feira me entrevistou, na sexta escreveu a matéria para sair no sábado. Quando dei conta, antes do lançamento do livro, os contos já tinham saído em um caderno inteiro da Folha. Isso, de alguma forma, norteou os outros suplementos. Era um caderno importante o “Inéditos”. Os outros suplementos logo depois vieram atrás para resenhar o livro. Essa minha história me lembra Millôr Fernandes, quando perguntaram para ele qual o conselho que daria para escritores iniciantes, que estão começando. Eis o conselho que Millôr deu: “Tenham sorte”. Tem isso também, né?

BaléRalé
Em 2003, eu publico BaléRalé, com o texto de orelha escrito pelo saudoso e querido João Gilberto Noll. E é um livro assumidamente homossexual. Não digo aqui que exista uma literatura homossexual, mas eu sentia necessidade de tocar na questão da sexualidade. Afinal, eu já estava morando em São Paulo há muito tempo, longe da família e, portanto, me sentia com uma liberdade maior, digamos. É um livro que de cara apresenta essa temática — desde a capa, que traz duas múmias gays encontradas abraçadas num pântano na Holanda. O BaléRalé também é especial para mim porque foi este livro que me levou para a Jornada Literária de Passo Fundo e a Jornada me levou para a FLIP, em 2004, na segunda edição. Lembro de que eram três jovens escritores: Joca Reiners Terron, Daniel Galera e eu. Éramos a aposta da FLIP naquele ano. 

Record
Devido à repercussão de BaléRalé e da minha participação na FLIP, a Luciana Villas-Boas, então diretora-editorial da Record, me procurou perguntando se eu tinha originais. Disse que tinha dois livros: Contos negreiros e um romance. Ela propôs contratar os dois. Então fui conversar com o Plínio Martins, da Ateliê, e falei: “Plínio, está acontecendo isso, me convidaram para outra editora”. Ele me disse para ir, porque na Record fariam coisas por mim que a Ateliê não conseguiria fazer. Eu fui para a Record, mas meus livros editados pelo Plínio, Angu de Sangue e BaléRalé, continuam na Ateliê. E por lá ainda deixei a antologia de microcontos, Os cem menores contos brasileiros do século, organizada e criada por mim em 2004. Havia uma proposta para eu levar todos os livros para a Record. Mas eu disse não. Quem for ler Nossos ossos pela editora grande, pode ir em busca do Angu de sangue. “Ah, mas eu não encontro o Angu”, sempre alguém vem me dizer. Procure, problema seu, está lá na Ateliê. Continua lá até hoje. É só pedir. Foi lá onde tudo começou, é ou não é?

Aperreado
Sou um cara muito aperreado. Faço a Balada Literária porque sou aperreado. Não tenho patrocínio, não sou rico, então tudo é muito aperreio. Viajo bastante para poder trabalhar. Luto demais. Já estou acostumado a me virar. Nunca me senti “desacontecido”, sobretudo agora, num momento em que as coisas “desacontecem”. Quem está muito acostumado à mamatinha, diz: “Oh, o que vou fazer agora da minha vida?” Essa pessoa nunca pegou no pesado, nunca enfrentou a vida como um demônio do bem. O que estou querendo dizer é que esse meu aperreio sempre foi constante, quer seja para fazer a “Balada Literária”, para escrever os livros, para viajar pelo Brasil palestrando, etc. O aperreio é o que me leva. Dificuldade, qualquer uma, não me paralisa. Se fosse assim, minha família teria morrido em Sertânia.

A vida é muito curta para ser pequena
Essa frase é do Chacal. Quando eu estava escrevendo meu primeiro romance, Nossos ossos, me lembrei dessa frase: “A vida é muito curta para ser pequena”. E usei em um trecho do livro. Não gosto de ficar colocando nota de rodapé. Quem lê de verdade sabe que esse livro, que esse título é dele. Um dia, em uma palestra em Belo Horizonte, falei para o querido Chacal, publicamente: “Olhe, não foi plágio, foi uma homenagem que fiz para você”. Aí ele me disse: “Mas essa frase também não é minha”. Está vendo? Morro de rir com essa história. Ladrão! Ladrão! Escritor é tudo ladrão! Mas, respondendo à sua pergunta, falando sobre a frase em si, realmente a vida é muito curta para você fazer dela uma coisa pequena. Sem contar que tudo à nossa volta faz com que você encare a vida como uma coisa pequena. Tudo faz a gente se sentir pequeno. Prédio, dinheiro, tudo deixa a gente pequeno demais. O sertão, aquele sofrimento da minha mãe, aquele sacrifício, tudo a fazia se sentir pequena, sem dinheiro, sem carne para o almoço, etc. O que tinha a minha mãe, então? Uma vontade grande, imensa, maior do que a gente. Essa minha trajetória, essa que você citou no começo desse nosso encontro, isso que está aí nesse papel, lido na abertura dessa nossa conversa, se fiz tudo isso até agora foi para não me sentir pequeno. Para não fazer da minha vida uma vida pequena. Faço as coisas assim, de igual para igual com a vida. Faço porque não quero me sentir um covarde. Faço porque eu sei, no fundo, que eu não posso, mas acredito sempre que eu posso e eu acabo podendo. É a minha grande vingança. Tudo em mim é uma grande vingança, repito. É assim que eu sigo vivendo.
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