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Estante | Romance de Formação

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Pais e filhos, de Ivan Turgueniev
Pais e filhos apresenta um dos narradores mais rebeldes da literatura russa do século XIX — o que não é pouco, pois o período viu florescer personagens como Raskolnikóv (Crime e castigo) e Anna Kariênina (do romance homônimo). Bazaróv é o protagonista do famoso livro de Ivan Turgueniev (1818-1883). Ao longo da narrativa, o leitor é apresentado à formação intelectual do jovem russo, um homem que se propusera a viver uma vida niilista, livre de crenças e moralismos, uma espécie de rebeldia que não se inclina a nenhuma autoridade. O livro também fotografa o momento russo, imerso em uma crise social e dividido entre os jovens sedentos por reformas (filhos) e os conservadores (pais) das antigas tradições. 

O encontro marcado, de Fernando Sabino
Publicado em 1956, O encontro marcado, primeiro romance de Fernando Sabino (1923-2004), traz, na figura do protagonista Eduardo Marciano, os questionamentos existenciais vigentes na época em que o livro foi escrito. Marciano é um jovem em desesperada busca por si mesmo. Escrita quando Sabino tinha 30 anos, a narrativa encontra convergência na trajetória do autor mineiro, à época enfrentando turbulências em sua vida pessoal — o casamento em crise e a incessante busca por um trabalho que custeasse sua carreira de escritor. Ainda que a história apresente diversos outros personagens, tudo converge para esclarecer a trajetória do jovem Marciano.

David Copperfield, de Charles Dickens
Lançado em 1850, David Copperfield é o livro de que o inglês Charles Dickens (1812-1870) mais gosta em toda sua obra — ele levou dois anos para escrever suas mais de mil páginas. O protagonista, que empresta o nome ao livro, é o “filho predileto” de Dickens, conforme o autor confessa no prefácio da edição de 1867. A narrativa explora a vida do narrador-protagonista desde seu nascimento, incluindo a infância e chegando à fase adulta, em que ele se afirma como escritor. Essa longa trajetória possibilita uma visão ampla da Inglaterra vitoriana, explorando a multiplicidade da sociedade, revelada por meio dos inúmeros personagens que compõem a obra — todos com os seus impasses e conquistas.

O ateneu, de Raul Pompeia
Trata-se de um livro escrito por autor brasileiro que é sinônimo de romance de formação. O ateneu, publicado em 1888, recupera a memória de Sérgio, o narrador-personagem, desde a sua infância, período em que ele estudava em um internato chamado Ateneu. O proprietário do colégio, Aristarco Argolo de Ramos, é apresentado como um imperador e, portanto, o Ateneu representa a sua monarquia. Uma vez inserido neste território novo, hostil e inimigo, Sérgio encontra personagens diferentes de tudo o que ele conhecia anteriormente. O livro de Raul Pompeia (1863- 1895) é lido e estudado desde a sua publicação — Chove sobre minha infância, de Miguel Sanches Neto, é um diálogo com O ateneu.

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Um retrato do artista quando jovem, de James Joyce
Referência no que diz respeito a romance de formação, Um retrato do artista quando jovem, publicado em 1916, acompanha o desenvolvimento do protagonista Stephen Dedalus — da infância à juventude. Primeiro romance de James Joyce, destaca-se pelo refinamento técnico que seria firmado em seu livro seguinte e obra-prima, Ulysses. Ao trabalhar a linguagem de acordo com o desenvolvimento do personagem, ainda mais refinada quando Dedalus amadurece física e psicologicamente, o escritor irlandês fez dessa narrativa uma grande experiência literária. Partindo de questões existenciais e experiências físicas do artista quando jovem, Joyce apresenta reflexões profundas sobre a arte e a religião. 

Chove sobre minha infância, de Miguel Sanches Neto
O primeiro romance de Miguel Sanches Neto, publicado no ano 2000, traz um narrador-protagonista que recupera momentos de sua infância, decisivos para a formação do futuro adulto. O conflito do personagem Miguel, mesmo nome do autor, é ter nascido em um ambiente rural e interiorano e desejar migrar para um contexto em que seja possível vivenciar a atividade de escritor. Há uma perceptível transformação do ponto de vista do personagem central que, ao narrar e recriar o seu percurso, amadurece em meio a um mundo inimigo. Da perplexidade diante da perda do pai até ler e compreender as sutilezas do mundo adulto, Miguel — o personagem — surpreenderá leitores e leitoras, de todas as idades.

Demian, de Hermann Hesse
Com o lançamento de Demian, em 1919, o alemão Hermann Hesse iniciou a fase mais introspectiva de sua obra, preocupando-se com dilemas existenciais ao explorar o desenvolvimento da vida interior de Emil Sinclair, jovem narrador deste romance. Convivendo em um ambiente religioso em casa e sofrendo nas mãos de Franz Kromer na escola, Sinclair passa a questionar os valores que o cercam. Sua vida muda quando se torna amigo de um misterioso novo aluno, Demian, que será o seu confidente e guru espiritual. Essa relação faz com que Sinclair organize o caos interior, passando a enxergar a vida com outros olhos ao lutar contra o mundo de aparências que pretende superar. 

Série “Minha Luta” — 6 volumes, de Karl Ove Knausgard
Nas mais de três mil páginas dos seis volumes da série “Minha Luta”, Karl Ove Knausgard esmiúça e expõe sua própria vida desde a infância até a convivência com seus familiares. Utilizando nomes e situações reais, o escritor norueguês se tornou um fenômeno literário mundial. No primeiro volume, A morte do pai, ele apresenta o ambiente sórdido em que seu pai fora encontrado morto, após anos de alcoolismo. Nos outros tomos, Knausgard não alivia a mão: os conflitos e vexames íntimos não escapam à sua narrativa visceral. No Brasil, há cinco volumes disponíveis: A morte do pai, Um outro amor, A ilha da infância, Uma temporada no escuro e A descoberta da escrita.  
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