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Cândido indica

Tanto tempo na pior que o que pintar é uma boa
Richard Fariña, Rocco, 1985
Gnossos Pappadopoulis, o “Paps”, Guardião da Chama, retorna à cidade universitária Athené após uma peregrinação ascética arriscada. Sem a resposta elevada que buscava, se entrega à rotina de outrora: maconha, ópio, mescalina, sexo, um ou outro cigarro careta e muito álcool. Num clima constante de paranoia, Paps se envolve com traficantes, conspirações e até se apaixona, lembrando sempre de fugir do macaco-demônio. A escrita do norte-americano Richard Fariña se fundamenta no caos, alternando linguagem poética com descrições caricatas e humor pastelão.

Submissão
Michel Houellebecq, Alfaguara, 2015
François, protagonista deste romance, é um entediado professor de literatura na Universidade Paris III-Sorbonne. Sua rotina acadêmica é desinteressante, e ele preenche seus dias com relações sexuais vazias, pratos feitos no micro-ondas, álcool e visitas ao site pornográfico YouPorn. No plano político, após eleições acirradas, o candidato da Fraternidade Muçulmana Mohammed Ben Abbes chega à presidência da França. A nova ordem parece atrativa ao protagonista, que enxerga o momento como uma possibilidade de mudança. Neste que é seu romance mais recente, narrado em primeira pessoa, o escritor francês Michel Houellebecq constrói um futuro distópico não tão distante, dando voz a mais um protagonista desanimado e desiludido.

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Ultralyrics
Marcos Prado, Travessa dos Editores, 2005
O poeta paranaense Marcos Prado teve uma vida breve, morreu na noite de Ano Novo de 1996, aos 36 anos. Mas deixou sua marca na poesia curitibana. Parceiro de bandas de rock, Prado fez letras de música e poesia com a mesma intensidade. É o que se percebe em Ultralyrics, livro organizado pelo diretor teatral Felipe Hirsch. A linguagem coloquial, as rimas, os temas urbanos e uma certa fúria punk dão o tom dos textos, como em “Homem de ferro”, gravada pelo grupo Beijo AA Força: “Não haverá mais remédio / Os belos serão os bélicos / Elmos no lugar de cérebros/ O ferro-velho tomará os cemitérios”.

Noite americana/ Doris day: by night
Ronaldo Werneck, Ibis Libris, 2006
Os poemas presentes neste livro do mineiro Ronaldo Werneck têm clima de boêmia e festa. Os versos trazem um diálogo interessante entre alta e baixa cultura, referências a artistas variados e uma interessante interseção entre os idiomas português, inglês e francês. Mas, como a diversão tem seu preço, o livro também é marcado por sentimentos melancólicos. É o caso de “Gota seca”: “da sarjeta salta/ só uma agonia/ uma gota seca/ sol-lua só pouco pedia/ nada-nadica de mutreta/ só álcool/só amor/só poesia/ sol-lua sem rumo/ jaz o céu no asfalto/ só poça sem prumo”.
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