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Editorial - Cândido 77

Marina Colasanti chega aos 80 anos de idade como uma das escritoras mais importantes do país. Com cinco décadas de vida literária e 60 livros publicados, mantém há muitos anos um público leitor cativo. Esta edição do Cândido conta um pouco essa história de dedicação à leitura e à escrita. 

A ensaísta e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie Marisa Lajolo, entre outros aspectos, destaca a variedade da obra de Colasanti. “A literatura de Marina é tão difícil de classificar. Espalha-se por diversos gêneros e vale-se de diferentes suportes. E por isso encanta diferentes leitores”. 

Além do ensaio crítico de Lajolo, a própria escritora fala sobre sua carreira. Convidada da edição de outubro do projeto “Um Escritor na Biblioteca”, Colasanti lembra episódios da infância vivida na Itália, que segundo ela foram determinantes para seu futuro junto aos livros. “Não me fiz leitora, sempre fui leitora. Não tenho nenhuma memória de uma vida sem livros”, diz. No bate-papo conduzido pelo escritor Miguel Sanches Neto, ela ainda reflete sobre questões urgentes de nosso tempo, como a crítica literária praticada na internet, os ataques à arte contemporânea e a persistente miséria que assola parte dos brasileiros.

          Katia Kertzman
Katia Kertzman

Outro destaque da edição é a reportagem do jornalista e escritor Marcio Renato dos Santos a respeito da obra de Manoel Carlos Karam (Foto), que morreu há 10 anos. O legado experimental do autor dos romances O impostor no baile de máscaras (1992) e Cebola (1995) é comentado por alguns de seus admiradores, como os escritores Carlos Henrique Schroeder e Marçal Aquino. “Comecei a gostar do Karam a partir de Fontes murmurantes (1985), um livro que me atraiu por destoar do que se publicava naquele momento — textos colados ao real”, diz Aquino. 

Na segunda entrevista da série “Os Editores”, Alvaro Costa e Silva conversa com José Mario Pereira, que revisita sua longa carreira no mercado editorial e à frente da editora Topbooks. O editor, na ativa desde 1974, comenta o atual momento do mercado e dá suas impressões sobre livro de papel versus livro eletrônico e o sistema de compra de títulos pelo governo.

Entre os inéditos, a edição traz um conto de Luís Pimentel, trecho do romance de Jamil Snege, O grande mar redondo, e um poema de Annita Costa Malufe. O desenho da capa é assinado pelo artista Samuel Casal.

Boa leitura.
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