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Editorial - Cândido 78

No começo dos anos 2000, as antologias de contos Geração 90 — Manuscritos de computador (2001) e Geração 90 — Os transgressores (2003) causaram rebuliço no meio literário brasileiro. Os livros provocaram reações díspares (amor e ódio) entre críticos e leitores. Exatamente o que queria o organizador das obras, o escritor Nelson de Oliveira, que à época percebia nos autores consagrados certa “miopia” que não os deixava enxergar que uma nova leva de prosadores pedia passagem.

Hoje, mais de 15 anos após os lançamentos das coletâneas, qual o balanço dessa geração? O ensaísta, escritor e crítico Luís Augusto Fischer, um leitor atento a tudo que acontece no Brasil em termos literários, traçou um panorama sobre os autores que figuraram nas ousadas coletâneas de Oliveira. 

Em um primeiro texto, Fischer mostra como esses prosadores aos poucos passaram de apostas a realidades concretas da literatura nacional. “Dos 29 nomes presentes no conjunto da Geração 90, sem dúvida um punhado se consagrou, como é o caso evidente daqueles premiados. São escritores que hoje orçam, majoritariamente (os 75%), entre os 50 e os 60 anos — somos quase da terceira idade! Trata-se de gente que entrou para a leitura corrente dos escassos leitores brasileiros e nas listas e programas de vestibulares? Em parte sim.”

O crítico, em um segundo texto, faz uma análise da produção da Geração 90 e afirma que esses autores, a maior parte oriundos da classe média, ainda estão devendo um livro sobre a corrupção que assola o país em anos recentes.

     Foto: Rafael Roncato
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Já Nelson de Oliveira, em texto memorialístico, conta os bastidores do projeto editorial que deu visibilidade a novos autores brasileiros. O embrião das antologias, escreve Oliveira, surgiu a partir de encontros promovidos pelos escritores Marcelino Freire e Evandro Affonso Ferreira em um café de São Paulo: “Os encontros no Fran’s Café aproximaram um bom número de novos poetas & ficcionistas ávidos de atenção de escritores & críticos da Velha Guarda”. Para o antologista, olhando em retrospecto, “o saldo foi muitíssimo positivo”.

A edição 78 do Cândido traz o registro da participação de Paulo Lins no projeto “Um Escritor na Biblioteca”, em novembro. O escritor carioca, que iniciou como poeta, contou como escreveu Cidade de Deus, inicialmente concebido para ser um ensaio. Ele afirmou que seu plano era produzir algo para ajudar a diminuir a violência. No bate-papo mediado pelo jornalista Yuri Al’Hanati, Lins disse, entre outras coisas, que a droga não faz mal, e que o problema é o tráfico de armas, algo, segundo ele, pouco discutido no Brasil. 

A terceira entrevista da série “Os Editores” é com Jacó Guinsburg [foto], de 96 anos — conteúdo produzido por Ronaldo Bressane. Marcio Renato dos Santos fez uma ampla reportagem sobre a produção do escritor, compositor e cantor pelotense Vitor Ramil, que acaba de lançar Campos neutrais, o seu 11º álbum.

Entre os inéditos, o Cândido publica poemas de Marcelo De Angelis e Priscila Merizzio, e uma narrativa, acompanha de uma breve entrevista, de Marcelo Degrazia, vencedor do Prêmio Paraná de Literatura 2017 na Categoria Contos.

Boa leitura.
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