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Cândido indica

Entre facas, algodão
João Almino, Record, 2017
Em sua mais recente narrativa ficcional, João Almino apresenta um personagem que deseja acertar as contas com o passado. O protagonista é um advogado, de 70 anos, que vive em Taguatinga, no Planalto Central, e viaja rumo ao Nordeste brasileiro. Mesmo visitando cenários onde teve as primeiras descobertas e decepções, ele não encontra o que busca. Supostas certezas, por exemplo, informações sobre a sua família, se desmancham diante de evidências. Construída pelo diário do personagem central, a narrativa revela sua fragilidade e outras misérias humanas. Entre facas, algodão confirma a capacidade narrativa de Almino, autor que já conquistou o Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon com o romance Cidade livre.

Na rua: a caminho do circo
Assionara Souza, Arte & Letra, 2015
Este livro reúne breves narrativas nas quais a autora apresenta aos leitores enredos e personagens variados. Há uma mulher (Geraldine) que adora morder copos de vidros. Romão é um domador de leões. Tem uma sacerdotisa que é viúva e está senil. Em outro conto, um mágico é entrevistado. O Sebo Confraria é cenário de algumas histórias, o que sugere que os textos de Assionara, reunidos nesta obra, dialogam uns com os outros, formando — também — uma longa narrativa. Leitora e admiradora da obra de Osman Lins, a escritora — nascida em Caicó (RN) e radicada em Curitiba — já apresentou experimentos literários instigantes em livros publicados anteriormente, entre eles Cecília não é um cachimbo (2005) e Amanhã com sorvete (2010). 

alminoaconrudin

Uma confraria de tolos
John Kennedy Toole, Círculo do Livro, 1986
Ignatius J. Reilly, glutão, vadio e mitômano, tem 30 anos e mora com a mãe. Apesar de sua extensa formação acadêmica, ele passa os dias em seu quarto escrevendo o que acredita ser uma grande obra. Vivendo na pobreza e cansada do temperamento do filho, a mãe o manda arranjar emprego. De encarregado nas Calças Levy a vendedor de cachorro-quente, Ignatius passa seus dias tentando driblar os afazeres e acaba envolvido em conspirações e perseguições. O norte-americano John Kennedy Toole cria uma tragicomédia em torno desse anti-herói, relacionando-o com personagens caricatos e exóticos, disparando críticas ferrenhas contra a sociedade americana com muito humor. 

Rúdin
Ivan Turguêniev, Editora 34, 2012
À primeira vista, este que é o romance de estreia do russo Ivan Turguêniev pode parecer tratar de banalidades, tendo como cenário principal a casa de província da viúva Dária Mikháilovna e seu círculo social. A reviravolta acontece quando o personagem homônimo do livro entra em cena. Com a chegada do eloquente anti-herói são elaboradas reflexões sobre o amor e o sentido da vida, entre outras tantas, fazendo o leitor se aprofundar nos meandros da psique de Rúdin, figura interpretada pelos contemporâneos de Turguêniev, no século XIX, como a representação do “homem supérfluo” daquela época: cheio de ideais e paixões, mas incapaz de agir de fato, fadado a ser marginalizado pela sociedade aristocrática. 
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