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Editorial - Cândido 79

O escritor norte-americano Thomas Pynchon, 80 anos, é considerado por não poucos leitores, escritores e críticos como um dos principais, talvez até o mais importante, autor vivo. Isso em âmbito mundial. A pós-modernidade literária se confunde com sua obra, há mais de meio século lida e cultuada em todo planeta.

Mas Pynchon não dá moleza para ninguém. Seus livros são calhamaços de centenas de páginas, com centenas de personagens envolvidos em enredos absurdos e paranoicos, tão paranoica e absurda como é a realidade dos Estados Unidos, onde o autor nasceu, vive, escreve e se esconde de jornalistas e fotógrafos.

O escritor e jornalista Ronaldo Bressane assina uma ampla reportagem a respeito da produção do autor, legado que conta com 8 romances e uma coletânea de contos. Bressane entrevistou alguns dos profissionais que verteram a obra do norte-americano para o português, entre os quais Caetano Galindo, Jório Dauster, Paulo Henriques Britto e Matthew Shirts.

“Ele [Pynchon] percebeu o quanto de ridículo há no nosso trágico, e o quanto de trágico, no nosso ridículo. Percebeu o lugar da cultura pop no nosso refinamento, e também riu dele”, diz Caetano Galindo, tradutor de Vício inerente, um dos marcos da literatura pynchoniana. Paulo Henriques Britto, que traduziu Mason & Dixon, Contra o dia, O arco-íris da gravidade e O último grito, acrescenta: “O que eu acho particularmente interessante no Pynchon é ele conjugar elementos do alto modernismo, joyceanos, com coisas da cultura de massa — desenhos animados, quadrinhos, pornografia”.

   Foto: Daniel Ramalho
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Bressane, por sua vez, alerta: “Se o Leitor vai à fonte da Literatura atrás de Cura, Pynchon só pode ser a suprema Doença. Mas uma Doença muuuito divertida”. O especial ainda traz uma série de curiosidades a respeito do autor, que dublou sua própria voz em dois episódios do desenhos Os Simpsons e teve o Prêmio Pulitzer negado de última hora, em 1974, apesar de o livro O arco-íris da gravidade receber aprovação unânime da comissão julgadora.

Cândido 79 publica os melhores momentos da participação de Daniel Galera no projeto Um Escritor na Biblioteca. Durante o encontro, realizado em dezembro de 2017, Galera falou sobre o seu percurso de leitor e escritor, incluindo comentários a respeito dos romances Barba ensopada de sangue (2012) e Meia-noite e vinte (2016).

Outro destaque da edição é uma reportagem, de Cristiano Castilho, sobre o bom momento do departamento de Letras da Universidade Federal do Paraná, referência nacional em tradução comprovada por meio de prêmios e da presença dos professores e alunos tradutores no mercado editorial.

Na quarta entrevista da série “Os Editores”, Luciana Villas-Boas [foto] faz uma análise do mercado editorial brasileiro, lembra os 17 anos em que atuou como diretora editorial da Record e comenta sua rotina de agente literária.

A seção Cliques em Curitiba apresenta o trabalho de Rafael Dabul e, entre os inéditos, contos de Cristhiano Aguiar e Wilson Alves-Bezerra e poemas de Maurício Arruda Mendonça e Sônia Barros, vencedora do Prêmio Paraná de Literatura 2017, que também concedeu uma entrevista ao Cândido
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