Poema | Maurício Arruda Mendonça

Harpas do vento

Não foram as harpas do vento
a serenizar a noite inquieta
em que te encontras suspenso
no pêndulo de uma solução.
Como é miserável a conclusão
tardia a resposta
que a bem da verdade você
até já conhecia & se enchia
até não poder mais de tanto eu.
Não foram as harpas do vento
foram asas de anjos chapantes
descaindo, deslizantes
em pleno quintal
ao eterno entardecer de agosto
e do resto
dos loucos varridos
pelo vendaval.

     Ilustração: André Ducci
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Maurício Arruda Mendonça nasceu e vive em Londrina (PR). É poeta e dramaturgo. Publicou os livros de poemas Eu caminhava assim tão distraído (1997), A sombra de um sorriso (2002) e Epigrafias (2002). Como tradutor publicou, a antologia Trilha forrada de folhas — Nenpuku Sato, um mestre de haikai no Brasil (1999) e Sylvia Plath, Poemas (1991). É graduado em Direito e Doutor em Letras na Universidade Estadual de Londrina, defendendo tese sobre Kafka e Schopenhauer.
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