Editorial - Cândido 83

“A mais sórdida pelada é de uma complexidade shakespeariana.” A conhecida frase de Nelson Rodrigues serviu como um farol para a edição de junho do Cândido. Foi com o espírito rodriguiano que cinco escritores, a convite do jornal, produziram textos de ficção e não ficção a partir de imagens feitas nas edições mais recentes da Copa do Mundo — material produzido pela equipe de fotógrafos do jornal Gazeta do Povo que faz parte da mostra “A vida se conta em Copas”, em cartaz na Biblioteca Pública do Paraná até julho.

A ideia era mesmo que os autores convidados olhassem para além das quatro linhas. Foi o que Heloisa Seixas, Marcelo Moutinho, Luís Henrique Pellanda, Altair Martins e Claudia Nina fizeram. Heloisa Seixas, por exemplo, buscou inspiração nas memórias das Copas que assistiu longe de casa. Já Marcelo Moutinho e Luís Henrique Pellanda optaram por um texto híbrido, entre a ficção e crônica. Claudia Nina e Altair Martins partiram para a ficção  pura.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                              Foto: Dico Kremer
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Além do especial sobre a Copa do Mundo, a edição 83 também traz outros conteúdos. Na série de entrevistas “Os Editores”, Roberto Gomes relembra as atividades da Criar Edições, selo que marcou época no cenário editorial do Paraná. O jornalista José Carlos Fernandes conta como foram as “duas vidas” — de 1981 a 1989 e de 2000 a 2007 — da editora que publicou livros de autores paranaenses e de vários outros centros.

Idealizada pelo selo Biblioteca Paraná, a coleção Roteiro Literário publica um livro sobre Paulo Leminski (1944-1989). Escrita por Rodrigo Garcia Lopes, a obra resgata o percurso do poeta e tem previsão de publicação para o segundo semestre deste ano. O Cândido reproduz um trecho do livro, que aborda a relação de Leminski (foto) com Curitiba.  

Outro destaque da edição é o ensaio da professora da Universidade de São Paulo (USP) Celeste Ribeiro de Sousa sobre a culpa na literatura. Da Bíblia, passando pelas tragédias gregas e culminando em autores como Kafka e Dostoiévski, Celeste examina de que forma a literatura trata a culpa “em toda a sua extensão e suas variáveis”. 

O escritor e jornalista Marcio Renato dos Santos escreve sobre a trajetória de Graça Aranha (1868-1931), autor do clássico Canaã e que foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL). O poema que fecha a edição é da escritora Etel Frota, e o desenho da capa é assinado pelo artista visual Rodrigo Visca.

Boa leitura!
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