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Estante | Culpa

O filho eterno, de Cristovão Tezza
Décimo quarto romance de Cristovão Tezza, O filho eterno ficcionaliza a relação do autor com o filho Felipe, que tem síndrome de Down. O personagem principal, assim como Tezza, teve uma juventude marcada pela instabilidade: viveu em comunidade alternativa, foi imigrante ilegal na Europa, escreveu diversos livros que só existiam em sua gaveta e, por fim, se rendeu ao “sistema” e foi trabalhar como professor na universidade pública. Todas esses fatos que afligem o personagem são amarrados com a “questão” do filho. Uma situação que gera sentimentos conflitantes no narrador, obrigado-o a um autoexame impiedoso. 

Trainspotting, de Irvine Welsh
A aparente vida sem regras dos personagens de Trainspotting é uma espécie de cortina de fumaça para existências atormentadas pela falta de perspectivas. O desemprego, a rotina dos subúrbios escoceses e o desalento causado pelo binômio capitalista “ter/ser” jogam Renton, Sick Boy, Spud e Begbie, os protagonistas do romance de Irvine Welsh, na zona cinzenta do vício. E a bad trip é inevitável. Com algumas exceções, no final todos esperam por algum tipo de redenção.

Doutor Fausto, de Thomas Mann
Thomas Mann (1875-1955) escreveu Doutor Fausto a partir da lenda medieval de Fausto, que versa sobre um pacto com o demônio. No livro de Mann, esse pacto é feito pelo compositor Adrian Leverkühn, que renega o amor em troca de uma existência ligada à arte. Porém, Adrian se apaixona por um violinista, escrevendo para ele uma peça musical e se envolvendo em uma trama onde deveria se casar com uma mulher, mas reluta e, em meio a falsas aparências, arquiteta um plano que resulta na morte do amado. Com diversas nuances e temas paralelos, o livro de Mann faz uma densa reflexão sobre o bem e o mal.

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As brasas, de Sándor Márai
Henrik e Konrad, inseparáveis amigos de infância e juventude, saem para uma caçada no dia 2 de julho de 1899. Na ocasião, Henrik, um general do Império Austro-húngaro, tem a impressão de que seu amigo apontara a espingarda para suas costas. Por mais que a impressão não tenha sido confirmada, esse evento marca a separação dos dois. Transcorrem 41 anos até que voltem a se encontrar no castelo do general, num jantar de gala, e é a tentativa de resolver esse enigma do passado que constitui As brasas — um romance sobre a amizade, a honra e a paixão, que incita a reflexão acerca dos impulsos que movem o ser humano. 

Declínio de um homem, de Osamu Dazai
A falta de carisma não impede que Yozo tente divertir as pessoas que o cercam com brincadeiras bobas, infantis, e que fique arrasado quando é repreendido por isso. Quando se torna impossível sustentar esse comportamento falso, o álcool, a morfina, o cigarro e as prostitutas surgem como a saída possível para o protagonista. O uso contumaz de substâncias alucinógenas e a postura animalesca de Yozo, porém, não bastam para aplacar seu desespero de existir e o pavor que sente dos seres humanos — mesmo que, às vezes, vislumbre alguma esperança ou culpa. 

Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski
É movido por uma forte convicção — a de que grandiosos líderes militares, como César ou Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História — que Raskólnikov se torna um homicida. Por mais que o ato tenha sido calculado, o estudante não consegue escapar às retaliações da própria consciência e se enreda numa tortuosa jornada de autodescoberta, em que delírios, arrependimentos, reflexões e amor se fundem. A partir dessa amálgama caótica, o russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881) narra a história de um anti-herói incontornável da literatura mundial. 

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