Cândido indica

Claritas
Andrey Luna Giron, Insight, 2017
O poeta brasileiro do século XXI não precisa, obrigatoriamente, pagar tributo aos antecessores mais conhecidos. O curitibano Andrey Luna Giron é uma exceção em meio à avalanche de autores que se sentem em dívida com os legados de Drummond, João Cabral, Bandeira, Quintana e Leminski. Ele ousa buscar a própria voz, lírica, porém filosófica. De acordo com o escritor Guido Viaro, que assina a apresentação da obra mais recente de Giron, “Claritas, claridade em latim, ilumina a dúvida, criando novas sombras carregadas de outras perguntas. Os poemas se expandam e se contraem como um grande pulmão que vaza os ares que não consegue respirar”. É ler para conhecer.

O retrato do artista quando bêbado
Jovino Machado, Galileu Edições, 2018
Primeiro livro da Trilogia do Álcool, O retrato do artista quando bêbado, de Jovino Machado, é dividido em duas partes: a primeira, “Strip-tease”, traz poemas inspirados pela beleza e charme da mulher. No segundo bloco, o “muso” é James Joyce, autor cuja influência fica evidente logo no título da obra. Nos 12 poemas do livro, a excitação e irreverência inerentes aos melhores pileques aparecem em vários poemas, como em “Narciso”: “debaixo da saia vermelha/se esconde seu chute burro/seu charme é antessala do vômito/ não existe inocência em seu ego/ você é uma cinderela de príncipes gripados/ narciso não anda em bando/ narciso prefere fechar a cara/ narciso prefere beber sozinho/ é que narciso acha feio/ o que nunca vai ser poesia”.

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Peter Pan
J. M. Barrie, Zahar, 2014 Tradução: Julia Romeu
Este é um caso de obra, como outros clássicos, que alguns conhecem muitas vezes por meio de adaptações audiovisuais. E, por mais que o tempo passe, os clássicos se revelam atuais. O livro de J. M. Barrie (1860-1937), publicado em 1911, apresenta os dilemas de Peter Pan, que, mais do que tudo, recusa-se a crescer. E tal questão diz respeito, por exemplo, aos millennials, ou Geração Y, categoria que inclui pessoas nascidas entre 1980 e 2000 e que, de modo geral, adiam cada vez mais o ingresso no mundo adulto. Vale conferir o texto de Peter Pan para, além de apreciar uma narrativa extraordinária, constatar que, neste caso, qualquer adaptação, para cinema ou teatro, sempre fica aquém da proposta original.

Noite dentro da noite
Joca Reiners Terron, Companhia das Letras, 2018
Uma narrativa imbricada e cheia de ramificações. Assim é a história do protagonista de Noite dentro da noite, romance de Joca Reiners Terron. A partir de um acidente no colégio, um garoto bate a cabeça e entra em coma. Ele desperta, mas permanece com graves sequelas: não fala e sua memória se esfarela com o tempo. Essa é a deixa para o narrador contar a labiríntica história do garoto, cuja trajetória, envolta em mistério, é tão turva quanto rica em detalhes. Terron se utiliza da confusão mental do protagonista para criar um clima ao mesmo tempo onírico e hiper-real, que mistura imaginação a fatos históricos. Um romance ousado, que embala em uma mesma narrativa assuntos e gêneros distintos.

Stoner
John Williams, Rádio Londres, 2015 
Tradução: Marcos Maffei
John Williams (1922- 1994) era praticamente desconhecido do público brasileiro até a publicação de Stoner, pela editora Rádio Londres. E autor e livro arrebataram muitos leitores. O romance chama a atenção pela linguagem límpida, quase translúcida, e pela persona que Williams construiu para seu personagem, o professor acadêmico William Stoner. Vindo de uma família pobre, Stoner chega a um posto alto na hierarquia da universidade em que trabalha, mas enfrenta uma série de problemas pessoais e profissionais, que vão aos poucos destruindo sua vida. Porém, encara todas as agrura com um estoicismo emocionante.
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