Um Escritor na Biblioteca

Paulo Scott


Com formação em Direito e uma estreia relativamente tardia na literatura, aos 35 anos, Paulo Scott é hoje um dos nomes mais promissores da nova geração de romancistas brasileiros. No entanto, Scott iniciou seu caminho literário pela poesia. O escritor gaúcho abriu o sétimo encontro do projeto “Um Escritor na Biblioteca” em 2013 falando justamente de seu primeiro livro, a coletânea de poemas Histórias curtas para domesticar as paixões dos anjos e atenuar os sofrimentos dos monstros, assinado sob o pseudônimo de Elrodris. “Publiquei esse livro em 2001 por conta de uma campanha de alguns amigos, que diziam que eu não podia ficar só escrevendo, precisava publicar.” A poesia também foi o ponto de partida para Scott como leitor. Entre os autores marcantes que leu nos anos de formação está o poeta curitibano Paulo Leminski. “Leminski foi muito importante para mim, afinal, vim de uma periferia de Porto Alegre. Ver aquele homem que tinha uma ótima dicção, uma postura encantadora, me deu coragem para admitir que eu gostava de poesia”, revelou ao jornalista Yuri Al’Hanati, mediador do bate-papo. Scott também elencou três prosadores que, como leitor, considera cânones: Louis-Ferdinand Céline, Jean-Paul Sartre e Graciliano Ramos. “Sempre que preciso me enquadrar dentro de um questionário, assino como negro. Já militei no movimento político negro, e o racismo de Céline, não apenas em relação aos judeus, é algo condenável. Mas, nem por isso, como leitor, deixo de perceber que ele faz uma grande literatura”, disse Scott, cujos dois últimos romances, O habitante irreal (2011) e Ithaca road (2013) foram bastante elogiados pela crítica e pelos leitores. Ainda sobre seus cânones, o escritor disse se esforçar para que suas preferências literárias não o deixem refém de alguns poucos autores. “Tenho muito receio em relação aos cânones, não aos cânones dos outros, mas aos meus próprios. Acho que a tendência de você canonizar aquilo que lhe parece importante, surpreendente e eterno é um comportamento quase que inevitável, mas, ao mesmo tempo, essa cristalização acaba impedindo que você consiga dialogar com trabalhos que talvez destoem dessa preferência, trabalhos que realmente inovem, coloquem uma nova perspectiva.” Nascido na capital gaúcha em 1966, Scott vive desde 2008 no Rio de Janeiro. Além de Histórias curtas para domesticar as paixões dos anjos e atenuar os sofrimentos dos monstros, na poesia publicou outros três livros: Senhor escuridão (2006), A timidez do monstro (2006) e O monstro e o minotauro (2011, em coautoria com o cartunista Laerte). Em 2003, publicou o volume de contos Ainda orangotangos, editado originalmente pela editora independente Livros do Mal e que, em 2007, ganhou reedição pela Bertrand Brasil. A obra foi adaptada para o cinema em 2008 pelo cineasta Gustavo Spolidoro e venceu o 13º Festival de Cinema de Milão. Em 2005, o escritor lançou Voláteis, seu primeiro romance, que envereda pelo gênero noir. Seu livro mais recente, o romance Ithaca Road, foi lançado em junho passado e é resultado da viagem do autor a Sydney, na Austrália. A viagem e o livro fazem parte do projeto “Amores Expressos”, que enviou escritores a diversas cidades do mundo para escreverem uma história de amor.

Foto: Guilherme Pupo

BIBLIOTECAS
Sempre fui uma criança muito tímida e os livros foram uma espécie de companhia que elegi depois de certa idade. Na escola, a biblioteca era um dos únicos lugares que transmitia um certo conforto e sempre considerei um grande ganho passar o horário do intervalo olhando aquelas capas, escolher os livros, levá-los para casa. Na Biblioteca Pública de Porto Alegre também. Essa curiosidade, alegria, diria, sempre fez parte da minha infância, da minha adolescência, mesmo vindo de uma família que não tinha o hábito da leitura de ficção e poesia.

MUNDO DIFERENTE
Minha relação com os livros foi muito importante porque eu me enquadro no perfil do garoto que busca nas bibliotecas um mundo diferente, que busca a curiosidade de ficar olhando meio sem referência autores que nunca lhe foram indicados e constatar que apreciava o conteúdo escrito nesse livros. Isso para mim é muito mágico. Tanto que em meu livro Habitante irreal, faço uma referência rápida ao personagem que vai à biblioteca na hora do intervalo, um pouco para se esconder, um pouco para se justificar, compensar talvez um desespero, uma curiosidade que só é resolvida na leitura. Essa reformulação da história pelo leitor sempre foi clara para mim, quer dizer, é o leitor que dá vida para aquilo tudo. Sempre me senti protagonista do que leio, mesmo nas histórias em quadrinhos, nas primeiras leituras do Monteiro Lobato. Nunca me senti um agente passivo recebendo a história. Leio muito lentamente, e essa coisa de poder rever, voltar para o começo do parágrafo, voltar para o começo do livro, ajudou muito a minha formação de leitor.

FORMAÇÃO
Assim como acontece quando escrevo, quando leio tenho a sensação de que é sempre a primeira vez. Talvez isso não seja tão forte em relação aos autores que já conheço, mas, mesmo com esses que me são caros, ainda acho que cada leitura é única. Talvez seja uma maluquice minha, mas eu tenho essa impressão que sempre é uma reformulação dos meus parâmetros, das minhas referências. Tento não eleger, não colocar altares, tento não me fechar à condição de um leitor de referências, de opiniões, de conclusões, e por consequência, de preconceitos.

POESIA
A minha condição de leitor de poesia, de alguém que gasta dinheiro com poesia, me mantém aquecido. O diálogo com novos autores que me mandam originais também me mantém muito aquecido, justamente por conta dessa minha proposição de não me cristalizar. Tenho muito receio em relação aos cânones, não aos cânones dos outros, mas em relação aos meus próprios. Acho que a tendência de você canonizar aquilo que lhe parece importante, surpreendente e eterno é um comportamento quase que inevitável, mas, ao mesmo tempo, essa cristalização acaba impedindo que você consiga dialogar com trabalhos que talvez destoem dessa preferência, trabalhos que realmente inovem, coloquem uma nova perspectiva. Goste ou não, o avanço tecnológico coloca para o escritor novas referências e a literatura contemporânea tem essas novas referências. Então, luto para não me tornar um senhor que julga as coisas, sempre que posso me coloco frontalmente contra algumas tendências, inclusive tendências que são próximas ao meu gosto, me coloco contra as modas literárias.

“Acho que HQs e cinema são coisas que nunca vou conseguir

 desvencilhar do meu olhar de escritor,

porque a TV, o cinema e os quadrinhos

estão presentes desde sempre na minha vida.”


MODA LITERÁRIA
Não sou contra as modas, afinal, elas refletem uma realidade que de fato está acontecendo. O problema da moda literária é que quando você tem 46 anos, fica um pouco cansado de certas euforias, de certos entusiasmos. Você aprende a olhar de uma forma mais crítica, mais cética, para tudo que está consagrado, inclusive para si mesmo.

CÂNONES
É impossível viver uma vida de leitor sem seus cânones particulares, mas tento me trabalhar para que essas referências, essas eleições, não se tornem paredes que impeçam de ver outras coisas interessantes. Já fui jurado, já fui curador e, principalmente como jurado, você tem a oportunidade de participar de seleções. Muitas vezes, há trabalhos com os quais você não consegue dialogar diretamente, é necessário enfrentar aquele estranhamento que lhe causa, e depois, quem sabe, retomar aquilo justamente após feita toda a triagem dos livros que chegaram. Com essa separação, talvez você consiga entender, com uma grande dedicação, aquilo que não integra seu espectro de atenção, de preferência.

INFLUÊNCIA
Leminski foi muito importante para mim, afinal, vim de uma periferia de Porto Alegre, e ver aquele homem que tinha uma ótima dicção, uma postura encantadora, me deu coragem para admitir que eu gostava de poesia. Mas há outros autores que não consigo retirar do altar, digamos assim. Sartre também foi muito importante. Li, com 14 anos, A náusea. Louis-Ferdinand Céline que, para mim, é importante referi-lo não só pelo encanto que tenho em relação à obra, mas pelo fato de discordar das posturas dele enquanto cidadão francês. Sempre que preciso me enquadrar dentro de um questionário, assino como negro. Já militei no movimento político negro, e o racismo de Céline, não apenas em relação aos judeus, é algo condenável. Mas, nem por isso, como leitor, deixo de perceber que ele faz uma grande literatura.

Foto: Guilherme Pupo
O jornalista Yuri Al’Hanati conversou com Paulo Scott durante o sétimo encontro do projeto “Um Escritor na Biblioteca”.

EXPOSIÇÃO

Publique meu primeiro livro já com uma certa idade, o que me impediu de alimentar certa fantasia e expectativa em relação a um possível retorno que eu viria a ter como escritor. Afinal, ao publicar Histórias curtas para domesticar as paixões dos anjos e atenuar os sofrimentos dos monstros, eu estava com 35 anos e quando saiu Ainda orangotangos, já tinha 37 anos, então não era mais uma criança. Bom, esse livro, Histórias curtas para domesticar as paixões dos anjos e atenuar os sofrimentos dos monstros, foi publicado a partir de uma campanha feita por pessoas próximas, que insistiam em vê-lo publicado. Diziam que não adiantava eu ficar somente escrevendo e mostrando para as pessoas próximas, tinha que publicar. Na época, confesso, eu tinha uma certa fantasia de que ia ficar escrevendo meus textos e ia deixá-los guardado dentro de uma caixa, dentro de uma gaveta, e quando eu morresse, alguém iria encontrá-los e descobriria o gênio que eu era. Mas não foi isso que aconteceu.

PRIMEIRO LIVRO
Sempre digo nas oficinas: se você tiver oportunidade de publicar seu livro, mesmo que do próprio bolso, como tantos grandes autores fizeram (e não só o primeiro livro, mas também o segundo, o terceiro), publique, porque essa exposição é uma coisa importante, é bom sair do comodismo. Ninguém falou nada do meu primeiro livro, até porque foi publicado com um pseudônimo. Essa escolha foi justamente para me preservar. Eu coordenava um dos maiores escritórios de advocacia do Rio Grande do Sul, lembro de conversar com meus sócios sobre essa publicação e eles me indagaram: “O que nossos clientes vão pensar dessa sua poesia psicopata, violenta e estranha?” Aí acabei cedendo.

POESIA
O interessante é que Histórias curtas para domesticar as paixões dos anjos e atenuar os sofrimentos dos monstros contempla poemas que escrevi entre os meus 15 e 30 anos. O critério de agrupamento dos textos foi apenas afetivo. É um registro completamente passional para mim, tenho certa vergonha dele, mas, ao mesmo tempo, certo orgulho, afinal, há muitas dores, muitas coisas que me perturbaram ali. Tem um poema, Se o mundo é redondo, que escrevi em razão de uma situação específica da seleção para o serviço militar, onde um sargento meio índio, meio mulato, agrupou todos os garotos negros nus em uma parede e ficou constrangendo todo mundo com uma série de piadas. Cheguei em casa e acabei escrevendo sobre aquilo.

VOZ LITERÁRIA

Tenho certa convicção em relação à minha poesia. Acho que tenho uma voz muito própria, que busco nesse lugar que elegi dentro das minhas limitações de leitor, um lugar em que não há paz. Sustento, na minha poesia, esse lugar, essa certeza que me traz uma certa tranquilidade com relação ao que produzo na literatura e me deixa não tão preocupado em responder a expectativas, mas de fundar algo que realmente me interesse. Não acho que a minha literatura tenha que ser um meio para eu discursar e expor valores, ela não tem esse compromisso. Se você encontra algum discurso politizado na minha poesia, é porque talvez eu não consiga me desvencilhar disso, mas não acho que meus livros sejam instrumentos que mudarão o mundo, que conscientizarão as pessoas. Minha única preocupação é a linguagem. Tenho uma dificuldade muito grande em falar sobre meu próprio trabalho, mas o que posso dizer é que procuro um lugar onde não haja pares. Como leio muita poesia contemporânea, tento não replicar nenhuma dicção. Evidentemente que isso eu sustento dentro de uma limitação pessoal, pois certamente devo estar produzindo coisas que já devem ter sido feitas, de uma forma certamente melhor do que eu consigo fazer.

ESPAÇO
Uma coisa que me faz ter certeza de meu espaço no meio literário é minha condição de leitor. Não me considero um escritor. Se eu tivesse que optar entre escrever e ler, sem dúvida nenhuma, escolheria a leitura.

PROCESSO CRIATIVO
Não consigo admitir ou sustentar perante outras pessoas que haja um processo criativo consolidado, porque mudo a cada semana, a cada dia. O que posso garantir é que é sempre difícil escrever. Se você abandona o romance por quinze dias, você evidentemente é outra pessoa quando o retoma. Uma das coisas fantásticas de largar tudo para tentar viver só da ficção e da poesia, é que você não tem mais para onde correr. Aí você percebe que todo aquele romantismo da rotina literária, pelo menos para uma pessoa caótica como eu, acaba se diluindo, porque se entra numa guerra ferrenha e brutal contra você mesmo para conseguir produzir sem qualquer desculpa. Afinal, você tem o tempo que precisa, tem o ócio que precisa, tem o estranhamento e, digamos assim, o desafio da rotina que sonhou.

3ESCREVER É DIFÍCIL
Respondo sempre que escrever é difícil. Superar seus critérios, considerando que já produziu outros livros, se torna cada vez mais difícil. Cada livro é um novo desafio, com uma nova proposta. É necessário que o narrador não se confunda com o autor. Mas a verdade é que o autor é uma marionete sendo guiado por traumas, referências, capacidades circunstanciais, emoções, ambições e desistências. Então, quer dizer, nem o autor tem controle em relação a esse motor que impulsiona a ficção. É impossível negar essa figura que te sustenta. Apesar disso, consigo ter muito claro que cada livro é um livro, quer dizer, as pretensões que me levam a escrever são diferentes.

CINEMA
Participei do processo de confecção do roteiro de Ainda orangotangos com uma perspectiva de novato, de olhar aquele roteiro que muda radicalmente meu livro e ficar chocado, acabar assinalando várias passagens, opinando. No fim, um pouco mais resolvido, me opus de fato só a uma passagem, mas de resto consegui perceber que o filme seria uma nova obra. Acho que quanto mais distante o autor conseguir ficar longe da adaptação de sua obra, muito melhor para o diretor e para a saúde do autor. Evidentemente que pode ser incrível atuar como uma espécie de consultor e ainda ganhar dinheiro com isso, o que vai te ajudar a pagar as contas. Mas acho que não vale a pena, teria que ser muito dinheiro para justificar que eu participasse desse processo de roteirização novamente.

“Se eu tivesse que optar entre escrever e ler,

sem dúvida nenhuma, escolheria a leitura.”

VOLÁTEIS
Acho que HQs e cinema são coisas que nunca vou conseguir desvencilhar do meu olhar de escritor, porque a TV, o cinema e os quadrinhos estão presentes desde sempre na minha vida. A minha proposta ali [no romance Voláteis] foi de construir uma narrador- câmera em terceira pessoa, com um olhar mais objetivo, e, apesar disso, colocar entre parênteses uma certa releitura mais poética, mais caótica e confusa, daquela narrativa mais certinha e tão programada que o narrador apresenta. Se você perceber, Voláteis é um livro de vampiros. Está lá o Fausto, que fez um pacto com o diabo, que é a Lara, mas você pode perceber que são pessoas que estão sugando umas às outras. É uma novela com vários núcleos dramáticos, embora haja um protagonista que só se percebe no final, e ele acaba engolindo todos os outros, mas você vê que tem um corte bem clássico de novela.

ITHACA ROAD
Isso veio de uma conversa. Eu já tinha trabalhos para um seriado de TV, onde fui convidado pelo Rodrigo Teixeira [dono da RT Features]. Conversando com ele sobre a Austrália, o Rodrigo me perguntou se eu não gostaria de ir para lá. Achei ótima a ideia. No meu contrato havia uma cláusula dizendo que os protagonistas não poderiam ser brasileiros e a história de amor deveria acontecer na Austrália. Evidentemente que para o leitor brasileiro isso gera um desafio, afinal, aquela empatia autor/leitor diminui um pouco quando não se descobre uma referência mais imediata. O que acontece com o Ithaca Road é que a história foi completamente concebida para que só pudesse se passar em Sydney. Escrevi duas histórias antes de chegar à versão definitiva. Como já vinha de muitos anos de pesquisa sobre a questão indígena e li bastante sobre como o relacionamento dos índios e não-índios se resolveu na Austrália, acabei muito tentado em colocar como protagonista uma maori, mestiça de maori com inglês, porque é muito interessante o respeito que o branco tem em relação à cultura dos maori na Nova Zelândia. É totalmente diferente do massacre realizado pelos australianos brancos aos aborígenes. Então, identifiquei alguém vizinho à Austrália, que se encanta pelo lugar e elege Sydney como sua “terra do nunca”. Fiquei encantado com o Bear Park. Para chegar nele, é necessário andar por essa rua chamada Ithaca Road. É bem fácil de perceber também uma proximidade com a ilha de Ithaca, Ulisses e Penelope, só que a Narelle, minha protagonista, não é uma Penelope que fica esperando o Ulisses voltar. Nunca tinha pensado nisso antes, mas é possível que a Narelle seja o próprio Ulisses querendo voltar para o lugar de onde foi retirada por conta de um trauma.

ESTRUTURA
O que incomoda um pouco as pessoas e encanta outras — a ponto de pessoas de dentro da Companhia das Letras dizerem que não há outro livro com essa estrutura dentre os publicados pela editora —, é que o arco narrativo da novela está fechado em torno do egoísmo da protagonista e isso é um risco que corro muito motivado pela conjuntura de Sydney e da escolha da personagem, que foi o ponto de partida. Acho que a personagem é a cidade, a grande antagonista da Narelle é Sydney. Até brinco com meus alunos de oficinas, afinal, nada mais clichê que um personagem começar o conto ou o romance, olhando pela janela. E o Ithaca começa assim, propositalmente ela olhando pela janela e observando aquela rua, aquela cidade, aquele país que lhe desperta sentimentos de amor e ódio. As idiossincrasias e peculiaridades da cidade são muito marcantes nesse livro.

HABITANTE IRREAL
Discordo um pouco dessa coisa que o Habitante irreal é um marco na minha carreira. Essa foi a apresentação dos editores, afinal, é obrigação deles colocar em cheque os livros que estão editando, mas não concordo com isso. É mais um livro, mas não um livro que nasceu para ser engajado. Muita gente chama o Habitante irreal de livro profético, porque foi lançado em 2011, antecipando tudo isso que tá acontecendo hoje em dia. É um romance que faz um balanço da postura ideológica e das ambições políticas e sociais. Pelo menos no viés que eu faço, especificamente.


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