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04/04/2018

Seleção de livros de ficção científica brasileira

Ficção científica brasileira 

amorquiapiratas sideraismenomáquina

AMORQUIA
de André Carneiro (Editora Aleph, 1991)
Utopia anarco-erótica sobre uma sociedade futura em que a morte e o trabalho foram abolidos, e a dedicação total às sutilezas do sexo representa o grau máximo de civilidade e civilização. Na sociedade hedonista de Amorquia as crianças têm aulas de prática sexual desde pequenas e a religião reforça o tempo todo, de modo até agressivo, o sentido sagrado do prazer carnal. Além da morte e do trabalho, também foram abolidos o amor, o casamento e a fidelidade.

PIRITAS SIDERAIS 
de Guilherme Kujawski (Francisco Alves, 1994)
A experimentação narrativa de Piritas siderais ampliou o território da ficção científica brasileira. Seu fluxo promove curtos-circuitos principalmente na sensibilidade do leitor pouco acostumado com a transgressão das vanguardas literárias. Considerando apenas o viés formal, é fácil ver que no breve romance de Guilherme Kujawski corre o mesmo sangue azul das Galáxias, de Haroldo de Campos, e do Catatau, de Paulo Leminski. 

MNEMOMÁQUINA 
de Ronaldo Bressane (Selo Demônio Negro, 2014)
Romance fragmentário, em que cada capítulo revela ao leitor as paranoias e amnésias de uma guerrilha obscura. Estamos em 2054. São Paulo virou uma Veneza de marés fétidas sob um céu cítrico. Contra o tecnológico Neverland Institute, corporação de engenharia genética e outras pesquisas pós-humanas, posiciona-se a sorrateira Divisão dos Não-Lineares, organização secreta que luta para impor certa ordem no caos das Personalidades Intercambiantes.

sta clarametancaçador cibernético

SANTA CLARA POLTERGEIST, 
de Fausto Fawcett (Editora Arte & Letra, 2014)
Esse transe tecnopornô pós-sapiens narra as desventuras escatológicas do paulista Mateus, um eletroblack (eletricista negro), e da catarinense Verinha Blumenau, reencarnação da europeia Santa Clara Poltergeist, numa Copacabana alterada por uma “falha magnética baixa”, fenômeno eletromagnético de natureza física e metafísica. A fusão de enredo estapafúrdio e linguagem delirante é um soco certeiro na cara chata do nosso proverbial realismo-naturalismo. 

METANFETAEDRO
de Alliah (Tarja Editorial, 2012)
Beleza e tristeza, prazer e dor se alternam, às vezes se confundem, formando uma liga fascinante. As narrativas reunidas na primeira coletânea de Alliah são hiperjanelas grotescas para os muitos tipos históricos de pressão, repressão e opressão articulados por nossa espécie predadora. Metanfetaedro atualiza o catálogo de criaturas híbridas e bizarras de Bosch, Bruegel e Hoffmann, dos românticos e surrealistas, remoçando a tradição do grotesco.

O CAÇADOR CIBERNÉTICO DA RUA 13
de Fabio Kabral (Malê Editora, 2017)
Ketu Três é a Cidade das Alturas localizada no Mundo Novo, e a importante e movimentada Rua 13 atravessa os treze círculos concêntricos da metrópole. É nesse cenário afrofuturista, em que religião e alta tecnologia se penetram e alimentam, que acompanhamos o drama de João Arolê, um mutante cibernético treinado pra eliminar cidadãos corrompidos da elite de Ketu Três. A cultura, as crenças, as cores e o ritmo africanos e afro-americanos dão sustentação a uma narrativa jovem e pulsante.
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