Especial Capa

11/10/2018

Ignácio total

As folhas caídas de Ignácio de Loyola Brandão

Aos 82 anos, o escritor se diz perplexo com o caótico cenário vivido no país, o que o inspirou a voltar ao romance após 12 anos com uma história distópica absurdamente parecida com a realidade

                                                                                                                                                                                                                                                                                                           Fotos: Carla Formanek
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Rodrigo Casarin

Entro no apartamento de Ignácio de Loyola Brandão e quadros na parede me despertam a curiosidade. Não se tratam de retratos ou pinturas, mas de folhas secas emolduradas acompanhadas de breves textos, cartões-postais ou, mais raramente, alguma fotografia. São mais de 50 montagens do tipo, mas nem todas estão ali expostas — não haveria espaço para tal. Recordam momentos marcantes na vida do escritor de 82 anos: jantares, viagens, conversas com amigos, a visita ao túmulo de Bertolt Brecht…

É justamente de um verso de Brecht que Ignácio retirou o título de seu novo livro, Desta terra não vai sobrar nada, a não ser o vento que sopra sobre ela, primeiro romance que lança em 12 anos. Nele Ignácio retorna à prática consagrada em obras como Zero e Não verás país nenhum: captar descalabros que acontecem no momento em que vivemos, ampliá-los e projetá-los em um futuro não especificado, nos mostrando a realidade distópica para qual caminhamos se não mudarmos os próprios rumos. Nossa conversa se centrará principalmente nisso, mas, por ora, retornemos às folhas secas.

Ignácio cresceu cercado por um avô que adorava plantas, uma mãe que cultivava flores-de-seda e um pai que todo dia cuidava de seu jardim. Não surpreende que quando o escritor foi pela primeira vez para a Europa, em 1963, aos 27 anos, para viver uma temporada em Roma, tenha trazido consigo justamente a memória de uma árvore. Andava pela rua quando viu uma folha se desprender, girar pelo ar e tocar o chão. Apanhou e guardou dentro de um livro. Foi reencontrá-la anos depois, o que fez com que rememorasse aquela boa fase da vida. “Não tinha nenhuma foto da minha estada em Roma, mas tinha aquela folha. Desde então, onde vou, se há algum momento significativo para mim, pego uma folha”, conta.

A Itália também teve um papel decisivo em sua carreira como escritor. Ignácio já tinha estreado em meados da década de 1960 com a publicação de Depois do sol, mas o romance Zero começaria a estabelecer seu nome entre os grandes autores do país. O livro surge de um acaso: editor do Última Hora, engavetava as notícias que a censura não deixava o jornal publicar. Certo dia, notou que ali havia conteúdo suficiente para um livro. Todavia, se as informações não podiam ser veiculadas, precisaria lhes dar uma nova forma.  

Assim arquitetou a distopia que servia de crítica àquele Brasil totalitário. Por sorte, um amigo viajaria para a Itália e pediu o original do romance para ter alguma distração no voo. Na Europa, esse amigo apresentou o calhamaço para um tradutor que gostou do que viu e foi conversar com um editor. Este logo estava entrando em contato com Ignácio para negociar a publicação de Zero na terra de Dante, onde saiu em 1974, pela editora Feltrinelli. Já no ano seguinte chegaria ao Brasil, onde, após grande e inesperado sucesso, teve problemas com a censura, que o proibiu por três anos. Mesmo com uma carreira prévia e depois lançando títulos como Pega ele, silêncio, Ignácio seria praticamente reduzido a “o autor de Zero” durante algum tempo. Até que outras folhas deram um novo capítulo para sua carreira.

O ipê-amarelo
Na década de 1970 Ignácio morava em Perdizes, zona oeste de São Paulo, e adorava um ipê-amarelo quase centenário que tinha em sua rua — quando a árvore floria, era um espetáculo raro. Só que certo dia o ipê começou a secar. Definhou até morrer. Encucado, o escritor conversou sobre essa morte com colegas de padaria e ouviu que todas as manhãs uma senhora regava o ipê. Não haveria nada de estranho nisso, não fosse um detalhe: a dona ia ter com a árvore mesmo em dias chuvosos. Desconfiou. Pediu para que uma amiga do departamento de botânica da USP desse uma olhada no caso e logo veio o parecer: a árvore tinha sido envenenada. Foi, então, conversar com a vizinha, que nem se preocupou em dar desculpas. Assumiu de pronto que havia se empenhado para dar cabo da “maldita” que sempre sujava sua calçada com “flores desgraçadas”.

Árvore maldita, flores desgraçadas… Aquilo ecoou durante algum tempo na cabeça de Ignácio, que começou a se interessar por assuntos ligados ao meio ambiente. Um dia, achou que tinha material suficiente para escrever um livro infantil, mas, ao começar a colocar as ideias no papel, notou que ramificações do assunto não paravam de surgir: desmatamento, aquecimento global, poluição… Então, o que era para ser algo destinado aos pequenos se tornou a ficção político-burocrata — definição do próprio autor — que é Não verás país nenhum, de 1981. “Tem livros que são importantes na minha carreira: o Zero me projetou nacional e internacionalmente. O Não verás me libertou do Zero, mostrou que eu não era autor de um livro só, que contava a mesma história de sempre: a censura, a ditadura...”

Um dos nomes mais festejados da literatura fantástica no Brasil atualmente, autor de Ordem vermelha, primeiro livro da série Filhos da degradação, Felipe Castilho é admirador de Não verás. “Tenho um carinho imenso pelo Não verás país nenhum, é uma leitura obrigatória para quem se interessa por distopias. Os jovens deveriam lê-lo porque tudo o que eles encontram em novas narrativas distópicas, como Jogos vorazes e Divergentes, já foi dito por um brasileiro, como pessoas que precisam tomar urina para sobreviver porque não tinham água. É um livro com uma escrita fluída onde há uma seca geral, o que é até irônico. Eu amo esse livro. Ele é uma das grandes distopias, ao lado de Fahrenheit 451, 1984 e Admirável mundo novo.” 

A vida se normalizando na anormalidade
Não foi um ipê ou uma folha que serviu de ponto de partida para que Ignácio mergulhasse na escrita de Desta terra nada vai sobrar..., mas uma frase retirada das páginas de Os sertões, de Euclides da Cunha, que, ao olhar para a carnificina que acontecia em Canudos enquanto as pessoas continuavam tocando a existência, sentenciou: “A vida se normalizara naquela anormalidade”. “Esse foi o gatilho, é isso que está acontecendo hoje com a gente”, diz Ignácio.  

Em Desta terra nada vai sobrar... temos um Brasil no qual pedidos de impeachment se tornaram um negócio tão lucrativo — impulsionados pelas compras de votos para se manter no cargo de quem ocupa a presidência — que papéis passaram a ser negociados em bolsas de valores mundo afora. O posto mais alto da nação é disputado por nada menos do que 1080 partidos. Escolas foram abolidas. Pastas como o Ministério da Saúde, Educação, Direitos Humanos, Meio Ambiente e Cultura não existem mais, algo cujo simbolismo ganha nova dimensão com um dos museus mais importantes do país virando cinzas praticamente ao mesmo tempo em que o livro é lançado. Comboios com mortos circulam pela cidade, enquanto a segurança é supostamente garantida com tornozeleiras eletrônicas que são acopladas nos indivíduos assim que nascem.

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Ignácio aprendeu ainda na infância, com uma professora, que não exite absurdo na literatura, que “absurdo é a vida” e que, por conta disso, pode fazer o que bem entender em seus escritos. “Sou um cara perplexo hoje diante do mundo. O que vem depois? Tenho 82 anos, sou realista, não tenho muito tempo de vida, mas tenho filho e neto, então, qual será o mundo deles? O que vai ser do amanhã?” Dessa forma, projeta o presente no futuro para, ao cabo, bagunçar a cabeça de quem o lê. “Esse ponto do futuro é agora. A jogada é essa: confundir o leitor, porque está tudo muito confuso.”

Após o papo em seu apartamento, Ignácio enviou uma mensagem na qual apresentava um bilhete que escreveu para si mesmo sobre Desta terra nada vai sobrar... Com a licença do autor, retiro aqui alguns fragmentos que condensam o que ele buscou retratar em seu novo romance:

“Assim como Zero nasceu do sufoco sob a ditadura, com censura, violência, torturas, mortes, prisões, guerrilhas, etc, depois do impeachment de Dilma senti que tudo andava confuso. O Brasil se dividiu. Os grupos cada vez mais acirrados. Os Nós, os Eles, os Aqueles, os Outros. Uma insegurança geral. A politica se afundando na corrupção, o empresariado também, o parlamento apodrecido, vendendo-se, comprando, negociando, tudo um empório às claras. […] Ensino afundando, violência generalizada, PCC, tráfico, drogas, ética dissolvida, moral apodrecida, honestidade perdendo sentido, […] os conservadores, os reacionários, os coxinhas, os variados movimentos sociais se engalfinhando, os ataques a exposições de arte, os casos de pedofilia, inclusive na igreja, Trump, Coreia, Supremo Tribunal Federal transformado em uma geleia geral, sabemos a que partido politico cada ministro pertence, os interesses que defendem, o mercado como um fantasma a surgir e assombrar, as redes sociais e seu avanços, as fake news, o Twitter, o Whatsapp, as notícias e delações que vazam, o fim da privacidade, tudo interfere em tudo”, escreve no início, para depois amarrar a mensagem:

"“Tinha um projeto de romance sobre o Brasil atual. Não estava, como não estou entendendo nada. Via (vejo) meu país dissolvido, a democracia ameaçada. […] A verdade em torno da frase: ‘Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana’. Por aqui me guiei, avancei, voltei, rasguei, prossegui. Queria entender e precisava relatar o caos. Do caos sairia a luz. Para escrever busquei toda ironia que há em mim, todo delírio, avancei a loucura à enésima potência”.

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É simbólico que a epígrafe presente em Desta terra nada vai sobrar... seja uma citação de Antonio Candido compartilhada pela neta do crítico: “Nasci em um mundo, me desenvolvi em outro, e agora estou neste terceiro, que não compreendo, do qual não sou parte”. É exatamente assim que Ignácio se sente. “Eu assinaria no lugar dele. Estamos vivendo a anormalidade normalizada. Em Canudos tudo tinha ficado vulgar e normal, as pessoas se matando, a barbárie naturalizada. Os alemães achavam que tudo estava normal enquanto o nazismo acontecia. Hoje estamos vivendo assim”, já havia me dito num papo uma semana antes de eu visitá-lo em sua residência.

“Mais do que um livro sobre apocalipse provável, é um livro sobre minha perplexidade”, segue Ignácio. “Este país do livro é o resultado da destruição, da derrocada do ensino brasileiro que produz analfabetos, semianalfabetos ou alfabetizados funcionais, sem capacidade de entender o que lê, ouve, sem compreensão do que se passa, de racionalização, sem pensamentos, portanto zumbis, manobrados, manipulados, escravizados”.

Prolífico e generoso
Toda essa incredulidade, no entanto, jamais paralisou o escritor, prova disso é sua própria produção. Alternando entre romances, crônicas, contos, livros infantis e de não ficção, já são mais de vinte títulos publicados. Um de seus favoritos é Dentes ao sol, romance de 1976, que aponta como seu maior fracasso: “Não vendeu nada, mas quem lê adora”. Passando pelos trabalhos já feitos, menciona também Veia bailarina, um “livro estranhíssimo” sobre a maneira como sobreviveu a um aneurisma que o acometeu em 1996. “Sou um cara que vi meu cérebro por dentro. É uma coisa linda: um bloco de nuvens brancas com filamentos prateados”, recorda. Se arrepende de alguma obra? Não exatamente, mas diz que não reeditaria Cuba de Fidel, que retrata um bom momento da revolução cubana, que depois descambaria para a macabra ditadura castrista.

A escritora Paula Fábrio, autora de Um dia toparei comigo e vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura de 2013 com Desnorteio, por sua vez, destaca um outro título de Ignácio. “Tenho uma edição de Cadeiras proibidas, de 1988, ano em que foi promulgada a atual Constituição brasileira. Abro o livro agora, em 2018, às vésperas de uma das mais preocupantes e tumultuadas eleições no Brasil, quando o candidato e líder das pesquisas se encontra preso. Ganhei o livro em 1996, data do Massacre de Eldorado dos Carajás. Pergunto-me se a primeira linha do primeiro conto diz respeito ao nosso passado ou ao nosso futuro: ‘Os homens não bateram, porque há muito naquela cidade, ou país, a polícia não precisava bater para entrar’. Num embate entre o nonsense e a realidade, Loyola descreve o país e a vida de modo brilhante, louco, irônico e angustiante. Todos os títulos carregam o peso da palavra ‘homem’, cada conto, uma aula de literatura”. 

Fã confesso do autor, Luiz Ruffato, que estreou na literatura em 2001 com o romance Eles eram muitos cavalos e logo se tornou um dos nossos mais importantes escritores contemporâneos, destaca que seu colega “mantém uma obra coerente, o que não é muito comum. Poucos continuaram a produzir com qualidade. Ele propõe uma reflexão bastante importante sobre a história política brasileira, acompanhando o desenvolvimento desses últimos cinquenta anos, e não só refletindo, mas antecipando questões”.

Não só isso. Ruffato também vê Ignácio destoando de certa “mesquinhez” do meio literário. “Ele está sempre atento ao que está sendo produzido por autores jovens e é extremamente generoso ao colocar seu nome qualificando livros desses escritores. Foi assim comigo, me ajudou muito escrevendo a orelha do meu primeiro livro. Devo muito a ele porque, de alguma maneira, despretensiosamente, me deixei influenciar bastante pelo seu olhar.”

Ignácio, contudo, vê uma diferença na maneira como a geração atual e a sua encaram a literatura. “A minha geração tinha um inimigo [a ditadura]. Essa geração nova eu acho que não tem contra o que lutar ou não está entendendo [o que está acontecendo], é muita egotrip, muita intimidade, muito lamber o próprio umbigo. Agora não sou crítico, não sou ensaísta, não sou nada. Eu sou leitor.”

Novas folhas
Leitor e, claro, entusiasta. Para o crítico literário José Castello, “Ignácio é um viajante lutador. Viaja não só pelas páginas de sua literatura, mas também pelos quatro cantos do Brasil, despertando mentes adormecidas, oferecendo questões incômodas, estimulando a rebeldia e a independência intelectual. É um dos nossos escritores mais combativos, ligado profundamente ao mundo e às suas coisas, sem trair a qualidade de sua escrita. Um exemplo para todos nós”.

E Ignácio gosta mesmo de rodar pelo país. Há anos em que passa por quase 100 cidades encantando o público com histórias. Anima-se ao ver um Brasil que acontece quase que como se Brasília não existisse, apesar de todos serem impactados pelo cenário político. Enxerga um povo bom, criativo e com força de vontade, que poderia transformar a nação em uma potência se tivesse acesso garantido ao básico, como comida e trabalho. Exemplo cabal disso talvez venha de uma passagem por Ocara, pequena cidade do Ceará, onde semeou improváveis fãs.

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Após a palestra para cerca de 200 pessoas, duas mulheres, uma com 82 e outra com 84 anos, o pararam na saída. Disseram que eram analfabetas e perguntaram como poderiam aprender a ler. Ignácio chamou uma professora que estava por perto e disse: “Está na sua mão”. As idosas, contudo, tinham mais dois questionamentos. “Uma falou: ‘Quando é época de plantar, eu vou na cooperativa e compro o milho, e o senhor, onde compra as letrinhas?’. A outra completou: ‘E como você pega essas letrinhas e coloca no papel?”. O escritor ficou admirado e explicou melhor como funcionava o seu trabalho. Como recompensa, levou consigo um presente, uma garrafa do melhor mel que já provara. Dois anos depois, nova surpresa, esta muito maior: ao visitar Aquiraz, primeira capital cearense, reencontrou as senhoras, que, orgulhosas, disseram-lhe: “Agora nós sabemos ler”.

“Ali eu vi que a gente fica desesperançado, mas tem um Brasil que continua a viver e a pulsar; pessoas que procuram se refazer, construir uma vida. Será que não é uma maneira de resistir? Quem sabe outros milhares não possam encontrar um novo caminho: a leitura, a arte, o cinema, a pintura, o bordado… A gente complica muito a vida. A simplicidade pode salvar isso tudo aqui, se deixarem”. No entanto, o vislumbre otimista logo volta à realidade vista a partir de seu apartamento: “Mas como se refaz um país com a Câmara e o Senado sendo o que são?” Para Ignácio, as folhas da política estão no chão — e não por conta da natureza, como as de sua parede, mas apodrecidas pelo homem, tais quais aquelas do ipê-amarelo. 

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Zero
Global editora, 2010
Em um país da América Latíndia, no dia de amanhã, José mata ratos para ganhar a vida. Apesar de  pobre, gosta de ler e, feito o homem comum que é, se entristece, ri, trepa, come e mija, além de ter  comprado uma casinha  que não pode bancar. Como o pano de fundo da narrativa é uma época de  repressão e dificuldades, o protagonista vê novas possibilidades no roubo e na delinquência. São as  escolhas tortas de José que direcionam essa  história caótica — tanto no conteúdo quanto na  forma cifrada, construída a partir de recortes, onomatopeias, paródias, pastiches e apelo gráfico. A  obra, lançada originalmente em 1974 pela editora italiana Feltrinelli devido às  restrições impostas  pela censura brasileira da época, sobrevive como um testemunho da ditadura militar que assolou o  Brasil a partir da década de 1960.  

Não verás país nenhum
Global editora, 2008
Em mais uma narrativa distópica, a exemplo do pioneiro Zero, Ignácio de Loyola Brandão dá à luz o  narrador Souza, um professor de História que está afastado de seu ofício por determinação de uma  lei de segurança e reporta a degradação do país em que vive, que está tomado por um sistema  totalitário que se vale da propaganda, do controle da imprensa e da contenção das massas para  manter o controle. Nesta obra que venceu o Prêmio Illa de melhor livro latino-americano publicado na  Itália em 1983, o calor infernal, a falta de água, as flores artificiais, a escassez de recursos naturais, a  podridão política e a alienação generalizada determinam o curso da narrativa, num misto de romance  policial, de aventuras, de amor e ficção científica. 

Desta terra nada vai sobrar, a não ser o vento que sopra sobre ela
Global editora, 2018
Encerrando uma espécie de trilogia distópica iniciada com Zero e continuada em Não verás país  nenhum, este romance parte da separação do casal Clara e Felipe para montar, mais uma vez, um  panorama futurístico pouco agradável, mas estranhamente atual. Num tempo mais uma vez incerto,  a vigilância é absoluta e constante, a tornozeleira eletrônica é regra desde o nascimento, os  ministérios ligados à cultura, aos direitos humanos e à natureza foram extinguidos e reina o  desgoverno, apesar da coexistência de 1080 partidos políticos. Nesse cenário, não é à toa que o  aviso é dado logo de início: “atenção, passageiros: afivelem os cintos! Vamos atravessar áreas de  extrema instabilidade e violentas turbulências”. 
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