Memória Literária

07/11/2018

O nonsense como crítica da lógica

Lewis Carroll é autor de várias obras, mas As aventuras de Alice no país das maravilhas, de 1865, é o livro mais popular do autor inglês, com ressonância entre público e crítica 120 anos após a morte do escritor

Marcio Renato dos Santos
                                                                                                                                                                                                                                                                                                   Ilustrações Simon Taylor
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Lewis Carroll (1832-1898), de acordo com a professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Dirce Waltrick do Amarante, viabilizou um novo conceito à literatura, especialmente no que diz respeito à ficção destinada às crianças. “Seus livros questionam o mundo, a fala, são filosóficos e instigam a refletir sobre o mundo à sua volta”, comenta Dirce, coordenadora da Pós-graduação em Estudos da Tradução da UFSC e tradutora, entre outros autores, de Lewis Carroll.

Doutoranda em literatura infantil e juvenil pela Universidade de São Paulo (USP), Nathália Thomaz acrescenta que As aventuras de Alice no país das maravilhas, livro publicado por Carroll em 1865, tem imensa importância para o surgimento do que viria a ser conhecido como literatura infantil. “Na época em que a narrativa foi lançada, havia poucas obras voltadas para as crianças. Nem mesmo o conceito de ‘infância’ estava plenamente desenvolvido da forma como conhecemos hoje”, diz Nathália.

Obra mais conhecida do autor, As aventuras de Alice no país das maravilhas surgiu durante um passeio de barco pelo rio Tâmisa, na Inglaterra. Na ocasião, o reverendo e professor de matemática na Christ Church, em Oxford, Charles Lutwidge Dodgson — conhecido pelo pseudônimo de Lewis Carroll — narrou as aventuras de uma personagem para três meninas, as irmãs Liddell: Lorina, de 13 anos, Alice, de 10 e Edith, de 8. “Alice foi quem deu o nome à protagonista da aventura”, destaca Dirce Waltrick do Amarante.

Nathália Thomaz observa que, posteriormente, Carroll adaptou a história contada oralmente para uma versão manuscrita, com a finalidade de presentear Alice e, anos depois, a publicou como um livro disponível para o público em geral. No entanto, enfatiza a pesquisadora, todo esse caminho, do que viria a ser As aventuras de Alice no país das maravilhas, não significa que o livro seja apenas para crianças.

“O manuscrito do livro, chamado Alice’s adventures underground, é maravilhoso e tão fascinante quanto o livro clássico. Existem algumas diferenças essenciais: ele tem uma quantidade bem menor de capítulos, a narrativa é muito focada nas transformações de tamanho de Alice, e alguns detalhes são bem diferentes do livro publicado”, explica Nathália Thomaz.

No que diz respeito ao público-alvo do livro As aventuras de Alice no país das maravilhas, Cíntia Schwantes afirma que, como Lewis Carroll utilizou largamente o nonsense e o humor, a obra tende a ser agradável para qualquer faixa etária. “Mas foi pensada para ser lida por crianças”, pontua Cíntia, professora da Universidade de Brasília (UnB).

“Entre outras coisas, As aventuras de Alice no país das maravilhas apresenta uma visão do mundo dos adultos por uma perspectiva infantil e, através dos olhos de uma criança, muitos dos hábitos naturalizados em sociedade aparecem em todo o seu esplêndido absurdo. A obra foi escrita (como outras obras do autor) visando um público infantil, o que não impede a sua fruição por pessoas que são crianças há mais tempo”, analisa a estudiosa. 

Estratégias desconcertantes
O primeiro capítulo de As aventuras de Alice no país das maravilhas, “Pela toca do Coelho”, é o favorito de Nathália Thomaz. “Gosto muito da forma como Carroll atrai o leitor para ingressar no mundo do nonsense, assim como o coelho branco atrai Alice para sua toca”, afirma. A pesquisadora analisa que a forma como a lógica cartesiana começa a se distorcer, enquanto Alice cai pela toca do coelho, ilustra exemplarmente a maneira como a história se desenvolverá.

“O narrador leva o leitor por toda a linha de raciocínio de Alice que começa, aos poucos, a se libertar da lógica formal para se tornar cada vez mais onírica. Fascinante, para mim, é o momento em que o leitor é capturado pelo livro. Depois disso, só resta viver a aventura com Alice”, reflete Nathália.

Dirce Waltrick do Amarante salienta que todos os capítulos de As aventuras de Alice no país das maravilhas discutem questões importantes, de acordo com a professora da UFSC, “da ordem da lógica, da linguagem, da educação, da história, da psicologia, da filosofia, etc”. Mas ela destaca o capítulo 5, “Conselho de uma Lagarta”, em que a personagem pergunta à Alice: “Quem é você?”. A protagonista responde o seguinte: “Eu... eu mal sei, Sir, neste exato momento... Pelo menos sei quem eu era quando me levantei esta manhã, mas acho que já passei por várias mudanças desde então”.

De acordo com a especialista da UFSC, o diálogo remete — entre outras referências — ao aforismo grego “Conhece-te a ti mesmo”, inscrito na entrada do templo de Delfos, cuja autoria é incerta, ainda que se atribua a máxima ao sábio grego Tales de Mileto, a Sócrates, Heráclito ou Pitágoras. “Aliás, a frase na íntegra é: ‘Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo’”, observa Dirce, que ainda acrescenta: “Daí voltamos a Sócrates, que teria também dito: ‘Só sei que nada sei’. Devido a isso, talvez Alice seja socrática”.

Já o professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Pedro Theobald considera relevante o capítulo 9, “A história da Tartaruga falsa”: “Aparentemente, a Tartaruga não tem razão para estar triste nem alegre. Mas sua história, absurda e sem sentido, se parece com muitas outras da literatura moderna”.

A professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Carla Alexandra Ferreira tem a impressão de que a cena do julgamento da protagonista, que aparece nos capítulos 11 e 12, respectivamente, “Quem roubou as tortas?” e “O depoimento de Alice”, é um momento importante do romance por apresentar o resultado de um processo que foi construído ao longo do texto.

“Muitos foram os momentos em que o mundo estável de Alice foi posto em xeque: seus aprendizados, etiqueta para meninas inglesas de classe média, crenças sobre a ordem natural dos eventos. Durante todos eles, a personagem tentou manter o que aprendera em seu meio, sendo uma menina bem-educada e polida. Contudo, na hora do julgamento, ela tem seu momento de rebeldia e diz que o que acontecia era nonsense e que se recusava a aceitar sua sentença”, explica a professora da UFSCar.

Já Cíntia Schwantes chama atenção para a própria estrutura do livro, segundo ela, “bastante curiosa”. “O leitor pode ter uma certa medida de certeza de que toda a aventura de Alice foi um sonho — é o que lhe diz a irmã mais velha, que, por ter mais idade, é a voz do bom senso. No entanto, a própria Alice não fica muito convencida disso”, diz Cíntia. Para a professora da UnB, o leitor pode escolher se toma o caminho do bom senso ou o da imaginação: “Pode escolher se acredita que Alice apenas sonhou, ou se ela de fato viveu todas as aventuras de que se lembra. Quando criança, eu sempre escolhia o caminho da imaginação”.

A visibilidade de uma narrativa
Nathália Thomaz salienta que Lewis Carroll escreveu muito desde pequeno. “Em sua família, sempre foi o responsável pelas narrativas e diversões. Em uma época sem televisão e internet, alguém com habilidades de criar ficções era bastante querido em eventos sociais”, explica.

Lewis Carroll, lembra Nathália Thomaz, separava com muita clareza sua persona de autor da persona do professor universitário, atividade em que assinava com seu nome próprio: Charles Lutwidge Dodgson. Nathália observa que, como matemático, ele publicou diversos livros, tratados e desafios de lógica. “Além disso, escreveu cartas e mantinha diários bastante detalhados. Alguns desses diários e cartas estão disponíveis para consulta online no site da British Library”, conta a pesquisadora.

Carroll elaborou uma continuidade para As aventuras de Alice no país das maravilhas, Alice através do espelho (1872) — romance que também obteve repercussão de público e crítica. Já Silvia e Bruno (1889) não teve a mesma ressonância que as narrativas que têm como protagonista a personagem Alice obtiveram — o Cândido publica na página 26 um fragmento de Silvia e Bruno, traduzido por Sérgio Medeiros, texto inédito no Brasil e previsto para sair em 2019 pela Iluminuras.

“Hunting of the Snark” (traduzido para o português por Augusto de Campos como “A caça ao Turpente”) é um poema narrativo nos moldes dos poemas épicos do século XVI, mas — na avaliação de Cíntia Schwantes — recheado de jogos de palavras, muitas inventadas, em um tom chistoso que é a marca do autor. “A crítica oscilou entre elogiar e reprovar a obra, usualmente pela mesma característica, o uso do nonsense, mas o público aderiu a ela entusiasticamente”, comenta a professora da UnB.

Mas, de fato, As aventuras de Alice no país das maravilhas é a obra mais conhecida do autor em âmbito mundial. Cíntia Schwantes analisa que a adaptação do livro, realizada pelos Estúdios Walt Disney, em 1951, ajudou a popularizar a narrativa e se desdobrou em outros produtos, como versões em HQ e encenações em teatros.

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Dirce Waltrick do Amarante aprecia a adaptação cinematográfica que o diretor tcheco Jan Svankmajer realizou, em 1988, de As aventuras de Alice no país das maravilhas. Nathália Thomaz defendeu na Universidade de São Paulo (USP), em 2012, uma dissertação de mestrado comparando o grotesco do manuscrito de As aventuras de Alice no país das maravilhas e o de Alice, longa-metragem de Svankmajer. “O grotesco está presente na história de Carroll desde seu manuscrito, especialmente em suas ilustrações, e complementa o nonsense característico da obra. Em seu filme, Svankmajer amplifica os elementos da estética do grotesco e da linguagem nonsense, estabelecendo um diálogo único e cru com a obra de Carroll”, comenta Nathália .

Já Pedro Theobald avalia que a notoriedade de As aventuras de Alice no país das maravilhas tem relação com o fato de a narrativa ser, cronologicamente, a primeira das obras literárias importantes e reconhecidas de Lewis Carroll.

Carla Alexandra Ferreira acredita que essa obra de Carroll é a mais comentada por causa de sua proposta, que desafia a lógica e as regras sociais vitorianas [o termo Era Vitoriana refere-se ao reinado da Rainha Vitória, na Inglaterra, de 1837 a 1901] por meio da criação de um mundo em que a lógica e o aprendizado escolar daquele contexto, enquanto as regras, são subvertidos e não funcionam.

“Quando Alice tenta responder a questões aritméticas, por exemplo, as respostas que saem de sua boca não são as que aprendera na escola: dois mais dois, naquele local, resultam em vinte e cinco. Além disso, o romance ainda trabalha com a questão identitária que é apresentada em um contexto de revisão de valores estabelecidos. A pergunta de Alice sobre quem ela é nesse mundo, durante sua viagem pelo país das maravilhas, torna-se o grande questionamento desse livro”, opina.

O escritor e a Alice real
Charles Lutwidge Dodgson, conhecido pelo pseudônimo Lewis Carrol, tornou-se, quando jovem, amigo do pai de Alice Liddell e suas irmãs, o então reitor da Christ Church, Henry Liddell. Matemático, romancista, contista, fabulista, poeta, desenhista, fotógrafo e diácono da Igreja Anglicana, Dodgson passava muito tempo com as meninas da família, entretendo-as e contando histórias.

“De fato, As aventuras de Alice no país das maravilhas surge de uma dessas histórias contadas a Alice e suas irmãs numa tarde de passeio pelo Rio Tâmisa. A menina, Alice, gostou tanto da história que pediu a ele que a escrevesse para ela”, reforça Carla Alexandra Ferreira, sem deixar de acrescentar que, “quando Alice chega à adolescência, a família já não deseja a presença de Carroll como amigo, e a amizade é desfeita. Não há provas de que algo tenha acontecido entre ele e a menina. Mas, na falta de informações, há especulações”.

Nathália Thomaz afirma que, em suas pesquisas, nunca encontrou nada indicando que Charles Lutwidge Dodgson pudesse ter cometido algum abuso com as crianças com quem se relacionou. “Alguns biógrafos sugerem essa possibilidade porque ele nunca se casou, e preferia sempre se cercar de crianças do que de adultos, e construía relações muito próximas com elas. As levava para passear, escrevia cartas, enigmas matemáticos e comentou diversas vezes em seus diários o quanto apreciava a companhia de meninas pequenas”, diz a pesquisadora.

As suspeitas, não comprovadas, de que o autor de As aventuras de Alice nos país das maravilhas poderia ter eventualmente abusado de meninas ganha força devido ao trabalho dele como fotógrafo amador. “Muitas de suas fotos retratam crianças pequenas nuas, em poses que parecem sensualizadas. Esses ensaios entretanto, eram sempre realizados com autorização dos pais”, explica Nathália Thomaz.

Naquela época, continua a estudiosa, a fotografia tinha acabado de ser descoberta e as pessoas pensavam nos registros fotográficos de uma forma bem diversa da que pensamos hoje: “Alguns pais poderiam desejar eternizar a ingenuidade e delicadeza da infância com um ensaio como este (nu feminino)”.

Cíntia Schwantes levanta outra questão a respeito do afastamento de Lewis Carroll da família de Alice. “A hipótese mais acreditada é a de que Carroll pediu Alice em casamento quando ela completou 11 anos. Não era uma idade impossível para o casamento — após a primeira menstruação, meninas eram consideradas prontas para o casamento, embora sua apresentação em sociedade demorasse mais dois ou três anos”, comenta.

A especialista da UnB acrescenta que a recusa da família, devido ao fato de que a situação econômica do proponente foi considerada insuficiente, teria provocado um afastamento entre eles: “Alice Liddell casou-se, mais tarde, com Reginald Hargreaves, herdeiro de uma fortuna considerável”.

Charles Lutwidge Dodgson jamais se casou e, como salienta Cíntia Schwantes, sua família procurou apagar as evidências de suas relações (“algo escandalosas”) com mulheres, solteiras ou casadas, para proteger a reputação do matemático e escritor, morto há 120 anos.

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Simon Taylor recria Lewis Carroll

Metamorfose de um legado
Cíntia Schwantes afirma que um dos grandes equívocos ditos, e repetidos, a respeito da obra de Lewis Carroll sugere que ele escreveu textos leves e despretensiosos, que serviriam “apenas” para preencher o tempo de forma agradável. “Os textos de Carroll são todos bastante críticos de uma sociedade hipócrita, e que submetia suas crianças a muita violência enquanto afirmava protegê-las”, diz a professora da UnB.

Dialogando com o ponto de vista de Cíntia Schwantes, Nathália Thomaz acrescenta que o livro mais conhecido de Lewis Carroll traz uma história, essencialmente, sobre transformação. “Hoje em dia, As aventuras de Alice no país das maravilhas é uma obra muito maior do que Carroll poderia imaginar naquela tarde no Tâmisa. Dali, ele produziu um manuscrito, que foi adaptado para um livro e, desta obra, surgiram inúmeras leituras e releituras”, comenta.

De acordo com a pesquisadora, a narrativa sobre a menina chamada Alice, que sofre diversas transformações, também se transforma a partir de novas leituras. “Cada nova versão, seja um filme, um musical ou uma animação, reverbera nas próximas, valoriza, reafirma e atualiza o clássico”, salienta Nathália Thomaz.

Carla Alexandra Ferreira enfatiza que a recepção de As aventuras de Alice no país das maravilhas tem trazido, ao longo do tempo, a questão do absurdo, nonsense e do surrealismo, o que de fato aparece na história. “Contudo, é importante destacar que se trata de um romance escrito no contexto da Era Vitoriana, por um matemático de formação e diácono da Igreja Anglicana, que lecionou matemática, por toda a vida, em Oxford. A lógica é, portanto, seu material de trabalho”, destaca.

A partir dessa interpretação, a professora da UFSCar explica que As aventuras de Alice no país das maravilhas traz dois mundos em diálogo e colisão: o da lógica, da ordem, e o da fantasia e nonsense. “Então, o leitor tem diante de si uma grande obra e o alcance ao enriquecimento semântico que uma leitura, por esse viés, pode trazer. Concentrar-se em apenas um dos lados, embora seja um exercício de leitura valioso, significa deixar de lado uma grande questão do livro, inclusive o diálogo entre esses dois mundos [lógica e nonsense]”, analisa Carla Alexandra Ferreira.

O ilustrador de Carroll

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O professor da PUCRS Pedro Theobald afirma que as primeiras ilustrações de As aventuras de Alice no país das maravilhas merecem atenção. O autor delas se chama de John Tenniel (1820-1914) e as imagens ainda são reproduzidas em reedições e traduções — no Brasil, a Zahar as utiliza. Cego de um olho, mas dono de uma memória fotográfica considerada impressionante, o inglês Tenniel desenhava até sem modelos. Produziu mais 2 mil ilustrações e caricaturas para a revista satírica Punch, da Inglaterra, entre 1850 e 1901. Ilustrou diversas obras, mas tornou-se célebre pelo trabalho que realizou com os livros de Carroll, As aventuras de Alice no país das maravilhas, de 1865, e a sua continuação, Alice através do espelho, de 1872.

Os animais de Carroll

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Animais falantes são, evidentemente, anteriores à obra de Lewis Carroll. A professora da UFSC Dirce Waltrick do Amarante diz que — de certa forma — o diálogo entre Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau, da fábula do século XVII, é tão estranho quanto aqueles presentes em As aventuras de Alice no país das maravilhas — a protagonista conversa com uma lagarta e com um coelho, entre outros bichos. 

De acordo com Cíntia Schwantes, especialista da UnB, a diferença crucial entre as conversas de personagens humanos com animais, por exemplo, das fábulas do século XVII e as de As aventuras de Alice no país das maravilhas é que, neste caso, não há lição de moral. “Um dos motivos do sucesso da obra de Carroll, provavelmente, foi a subversão dos textos vetustos que eram apresentados às crianças”, comenta Cíntia. 

Dialogando com Cíntia Schwantes, Carla Alexandra Ferreira, pesquisadora da UFSCar, afirma que, antes da publicação de As aventuras de Alice no país das maravilhas, os livros para crianças tinham caráter instrucional e moralista: “Embora nas fábulas anteriores ao livro de Carroll houvesse animais falantes, o protagonismo dado à Alice, bem como a interação da menina com os animais naquele universo fantástico, é algo novo. E mais: no caso de Carroll, a fantasia e o nonsense ocupam o lugar do moralismo”. 

Alice no cinema

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Johnny Depp e Tim Burton: Carroll no cinema

O mais célebre livro de Lewis Carroll já recebeu algumas adaptações para o cinema. Há uma versão de As aventuras de Alice no país das maravilhas (1903), de quase 12 minutos, dos quais restaram apenas 8 minutos — conteúdo disponível no Youtube. O curta-metragem de Cecil M. Hepworth e Percy Stow dialoga diretamente com as ilustrações de John Tenniel. 

Em 1951, os estúdios Walt Disney apresentaram sua primeira versão do clássico de Carroll, uma animação de 75 minutos. Em 2010, a mesma empresa viabilizou outra adaptação de As aventuras de Alice no país das maravilhas, dirigida Tim Burton, com Mia Wasikowska como Alice e Johnny Depp interpretando o Chapeleiro Maluco. O longa-metragem, de 108 minutos, faturou mais de U$S 1 bilhão em âmbito mundial. Em 2016, Tim Burton assinou a produção de Alice através do espelho, longa dirigido por James Bobin — outra realização da Disney. 

Alice (1988), do diretor tcheco Jan Svankmajer, flerta intensamente com o nonsense do livro de Carroll em 86 minutos, e é considerada a mais cult das versões.

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