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08/01/2019

Modernização BPP

A metamorfose

Em 8 anos (2011-2018), a Biblioteca Pública do Paraná investiu mais de R$ 8 milhões em obras e transformou o espaço que anteriormente apenas emprestava livros em um centro cultural com várias atividades relacionadas à leitura — 99 % do público demonstra satisfação com o atendimento da BPP

   Foto: Guilherme Pupo
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Da redação

A segunda edição da Festa Literária da Biblioteca, a Flibi, realizada de 22 a 27 de outubro de 2018, apresentou uma espécie de resumo do que a Biblioteca Pública do Paraná vem desenvolvendo nos últimos 8 anos. Em 6 dias, o público teve acesso a uma programação intensa, incluindo debates e conversas com escritores — foram mais de 60 convidados, cursos, apresentações de música e teatro, exibição de filmes e atividades para o público infantil. Mas, apesar disso tudo, a Flibi — evidentemente — não resume tudo o que acontece na BPP desde 2011.

A intensa e contínua programação cultural é apenas uma das ações da atual gestão da instituição que existe há 161 anos. O prédio da BPP, 13.ª sede da Biblioteca, imóvel tombado pelo Patrimônio Cultural em 2003, exigia cuidados e adequação a necessidades do presente.

Então, a BPP ampliou a rede lógica e elétrica, implantou rede wifi e também investiu na aquisição de novos computadores, além de fechar as laterais do prédio, viabilizando mais espaço para salas de leitura e para a Seção Infantil. Em 2015, foi realizada a pintura externa do prédio, ação realizada com o apoio das Tintas Coral, da Sanepar e da Compagas.

Outra atitude simbólica — e significativa — foi substituir os antigos fichários em papel, até então situados no hall térreo, por um catálogo informatizado — fato que, em alguma medida, sinalizou aderência da instituição ao universo e contexto digital do século XXI.

   Foto: Kraw Penas
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Inaugurado em 2018, o Café da Biblioteca era uma demanda antiga dos leitores da BPP

Cenário de cultura
Os 2 mil frequentadores diários percebem e usufruem das melhorias realizadas na BPP nesses últimos 8 anos, período em que foram investidos mais de R$ 8 milhões em obras. Clarice Wruck, por exemplo, está na Biblioteca de segunda à sexta-feira e afirma que as reformas tornaram o ambiente mais amplo e atual. Já a estudante de medicina Tatiane Talevi diz que as mudanças deixaram a biblioteca bem mais agradável.

Os comentários de Clarice e Tatiane têm relação com o impacto das três fases da modernização da BPP. Finalizada em 2017, nos 160 anos da Biblioteca, a primeira fase da revitalização contou com R$ 2,1 milhões, do Instituto Renault, destinados à reforma do auditório, do hall do segundo andar, dos banheiros do térreo e da Seção de Empréstimos, remanejada para dar lugar a um café inaugurado em 2018.

No primeiro semestre de 2018, a segunda etapa de melhorias — com investimento de R$ 2,5 milhões do Instituto Renault — revitalizou as salas destinadas a Literatura, Periódicos, Multimeios e Infantil. Os espaços receberam novo mobiliário, iluminação e pintura. Também houve reforma da cantina e dos banheiros dos funcionários.

Realizada no segundo semestre de 2018 com investimentos de R$ 1,8 milhão do Instituto Renault e mais R$ 2 milhões do orçamento da própria BPP, a terceira e última etapa de modernização contemplou as seções de Filosofia e Religião, Esportes e Belas Artes, Ciências Puras e Aplicadas, Obras Raras e Ciências Sociais, Jurídicas e História, Braile e a Divisão de Documentação Paranaense.

O arquiteto responsável pela obra, Manoel Coelho, conta que toda a reformulação teve como meta organizar os fluxos dentro da Biblioteca, levando em consideração detalhes como iluminação e viabilidade de espaços aconchegantes. “Tenho muito carinho pela biblioteca e, confesso, nunca imaginei que teria o prazer de participar desse projeto”, conta Coelho, frequentador da BPP desde a década de 1960, período em que era estudante.

     Foto: Higor Oratz
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O escritor Eduardo Bueno (à esquerda) conversa com o jornalista Ricardo Sabbag, na 2ª edição da Flibi, em 2018

Sinergia & Satisfação
O diretor da BPP, Rogério Pereira, explica que as reformas foram planejadas não somente para modernizar o prédio, mas também com a finalidade de tornar o ambiente propício à realização de atividades culturais. E, durante a gestão, várias ações consolidaram a Biblioteca, bem mais que um espaço para o empréstimo de livros, como um centro cultural. “Esse é o papel das bibliotecas modernas”, diz Pereira.

Foi possível oferecer ao público, por exemplo, oficinas de criação literária e de ilustração, exposições, o projeto Música na Biblioteca, além de a BPP editar este jornal Cândido e a revista Helena, incluindo a publicação mais de 40 títulos por meio do Selo Biblioteca Paraná. 

Entre as iniciativas, vale destacar a realização do Prêmio Paraná de Literatura, com premiação de R$ 30 mil para o vencedor de cada categoria (Contos, Poesia e Romance) e a publicação das obras vencedoras com tiragem de 1 mil exemplares (cada uma).

O público infantil passou a contar com projetos que estimulam a leitura, entre eles Aventuras Musicais, Aventuras Teatrais e Aventuras Literárias, além de Uma Noite na Biblioteca — iniciativa que oferece a crianças inúmeras atividades desde a tarde um sábado até a manhã do dia seguinte dentro da BPP.

   Foto: Fábio Santiago
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Crianças participam de atividades dentro da BPP durante o projeto Uma Noite na Biblioteca

Para avaliar o impacto da atual gestão, a BPP contratou o Grupo DataCenso, empresa especializada em pesquisas e estatísticas. De 5 a 11 de outubro de 2018, o DataCenso entrevistou 300 pessoas — a margem de erro é de 6%, considerando o grau de confiança de 95%. O resultado aponta índice de 99% de satisfação, ou seja, praticamente a totalidade dos atuais frequentadores da BPP aprova os serviços prestados e o ambiente pós-reformas.

A satisfação do público com o jornal Cândido atinge 96%, mesmo índice registrado em relação ao ambiente (agradável) e ao serviço de informações. Já o serviço de empréstimo e as instalações (conforto) têm aprovação de 97% dos entrevistados, enquanto a programação cultural agrada a 95% dos consultados.

A pesquisa também aponta, entre outras questões, que o público da instituição é diversificado, variando principalmente de 14 a 45 anos, com predomínio de pessoas com ensino superior, mas também com parte significativa de estudantes do ensino médio — as mulheres, com 60%, compõem a maioria dos usuários da BPP.

Estudante de 17 anos que frequenta diariamente a BPP, Letícia Ferreira afirma que a Biblioteca Pública do Paraná a motiva a ter uma perspectiva de futuro melhor. Andressa Taís Machado, 18 anos, é outra estudante e frequentadora do espaço que, com seu depoimento, dialoga com Letícia e também comprova a satisfação do público identificada pelo DataCenso: “Depois que comecei a frequentá-la [BPP], meu interesse na leitura e no conhecimento aumentou”.

Outras ações da BPP (2011-2018): 

Bibliopraia (Projeto de empréstimo de livros em cinco pontos do litoral paranaense em duas diferentes edições: 2012 e 2013). 

Caixas-Estantes (Armários de aço com até 100 livros, disponíveis a entidades públicas e organizações da sociedade civil). 

Um Escritor na Biblioteca (Projeto da década de 1980 retomado em 2011, em que a cada edição um convidado conversa com o público. Posteriormente, o conteúdo é publicado no jornal Cândido e em formato de livro pelo selo Biblioteca Paraná). 

Um Escritor na Fronteira (Realizado em 2012, em parceria com a Itaipu Binacional, o projeto levou escritores para bate-papos com a população de Foz do Iguaçu para contemplar o interior do Estado com ações do Governo).
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